Conselho Federal de Medicina Proíbe Uso de PMMA em Estéticas Após Casos de Mortes e Reações Severas

Na última sexta-feira, 29 de setembro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) firmou uma decisão significativa ao proibir o uso do polimetilmetacrilato (PMMA) para procedimentos estéticos ou reparadores. Essa substância, que tem sido utilizada como um preenchedor em diversas intervenções estéticas, como a volumização de áreas faciais, agora está sob restrições severas. A única permissão para o uso do PMMA se aplica ao tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, que deve ser realizado exclusivamente em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo rigorosamente os protocolos e diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

A decisão do CFM deverá ser oficialmente publicada na próxima terça-feira, 2 de outubro, e, na segunda-feira anterior, ocorrerá uma coletiva de imprensa com o presidente do órgão, José Hiran da Silva Gallo, ao lado da cirurgiã plástica e conselheira federal Graziela Bonin, relatora da resolução. Essa medida corrobora um apelo anterior do CFM à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que já havia alertado sobre os riscos associados ao uso do PMMA, um material plástico com aplicações variadas, incluindo a medicina estética.

A utilização do PMMA não é isenta de riscos. Em recentes incidentes, uma mulher em São Paulo faleceu após um procedimento de preenchimento com a substância, destacando a seriedade das complicações que podem surgir. Além desse caso, outros relatos de fatalidades ligadas ao PMMA foram registrados, incluindo o trágico caso da influenciadora e modelo Aline Maria Ferreira da Silva, que faleceu em julho passado. Outro exemplo é a modelo Andressa Urach, que enfrentou sérias complicações de saúde após usar o PMMA em 2014, mas sobreviveu.

Especialistas em dermatologia alertam sobre as reações adversas que o uso do PMMA pode provocar, que variam de inchaços e inflamações imediatas a problemas crônicos que podem surgir anos após a aplicação. A cirurgiã plástica Marcela Cammarota, integrante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, enfatiza a determinação da associação contra o uso estético do PMMA. O tratamento com essa substância exige extrema cautela, uma vez que a resposta do organismo pode ser imprevisível. Caso as microesferas do PMMA sejam muito pequenas, podem ser absorvidas pelas células, resultando em inflamações; se forem grandes demais, podem causar reações adversas graves.

Portanto, os riscos associados ao uso do PMMA vão além de simples incomodações estéticas, englobando complicações que podem ser permanentes ou até fatais. A decisão do CFM de proibir a substância é um passo importante na proteção da saúde dos pacientes e na melhoria dos padrões de segurança em procedimentos estéticos no Brasil.

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