Conselho Espacial do BRICS Surge como Oportunidade para Revitalizar o Setor Espacial Brasileiro e Enfrentar Desafios de Soberania Tecnológica.

Oportunidades e Desafios do Setor Espacial Brasileiro no Contexto do BRICS

Desde a primeira missão espacial com um astronauta brasileiro, Marcos Pontes, há duas décadas, o Brasil não avançou significativamente em sua ambição de se consolidar como uma potência espacial. Essa realidade, considerada “embrionária” por diversos especialistas, encontra um novo horizonte com a proposta russa de estabelecer um Conselho Espacial do BRICS. A proposta, que foi aprovada pelos líderes do bloco durante a cúpula no Rio de Janeiro em 2025, traz consigo a promessa de fomentar projetos ambiciosos, como a construção de uma estação orbital e a realização de voos tripulados.

O BRICS, que inicialmente era formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, passou por uma expansão em 2024, incluindo países como Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia. Coletivamente, estas nações representam aproximadamente 36% do PIB mundial, além de abrigarem cerca de 45% da população global. Esse concerto de várias potências pode facilitar o compartilhamento de conhecimentos técnicos e recursos financeiros, reduzindo a dependência em relação a países ocidentais.

O fortalecimento do setor espacial brasileiro é vital para a soberania tecnológica do país. Especialistas destacam que a infraestrutura espacial não apenas suporta o lançamento de satélites e a comunicação, mas também impacta diretamente o cotidiano da população, com aplicações em monitoramento de desmatamento e previsões de desastres naturais. A professora Raquel dos Santos, da Universidade Federal Fluminense, sublinha que a soberania no espaço gera competências que têm repercussões tangíveis no dia a dia dos cidadãos.

Um aspecto crucial a ser considerado é o financiamento e a formulação de políticas públicas efetivas que sustentem o crescimento do setor. Rafael Gigena Cuenca, da Universidade Federal de Santa Catarina, enfatiza a importância de integrar esforços entre o governo, universidades e a iniciativa privada para criar um ecossistema robusto de pesquisa e desenvolvimento.

Além das promessas, o Brasil enfrenta desafios significativos, como as disparidades no nível de desenvolvimento tecnológico dentro do BRICS e a necessidade de uma institucionalização mais forte do setor espacial no país. Existem sugestões para que o Brasil estabeleça um planejamento estratégico que possibilite aproveitar melhor as oportunidades oferecidas pelas nações aliadas.

A geopolítica espacial está em constante mudança, com potências como os EUA e China liderando importantes iniciativas, e o Brasil precisa estar preparado para não perder a oportunidade de se integrar a esse cenário em evolução. Os especialistas concordam que, se o país conseguir estruturar suas estratégias corretamente, pode avançar no desenvolvimento da indústria espacial, beneficiando-se de uma plataforma colaborativa robusta no âmbito do BRICS.

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