Um estudo inovador liderado por Blumenfeld e David S. Jin, ex-aluno de doutorado do Programa Interdepartamental de Neurociência de Yale, investigou como tomamos consciência de nossas ações. O trabalho foi publicado em uma importante revista científica e foca nos sinais visíveis que revelam a consciência sobre os próprios atos ao realizá-los.
Os pesquisadores adaptaram o popular jogo de quebra-cabeça “Rush Hour”, no qual os jogadores movem veículos de brinquedo em um tabuleiro, para criar um experimento que mesclava a resolução de problemas com a necessidade de atenção. Ao mesmo tempo em que jogavam, os participantes eram expostos a vídeos que deveriam memorizar. Em momentos estratégicos, o jogo era interrompido, e os participantes precisavam relatar seus últimos movimentos e avaliar sua confiança nas respostas.
As descobertas revelaram que respostas corretas dadas com alta confiança eram associadas a um estado consciente. Por outro lado, respostas erradas com baixa confiança eram classificadas como “desconhecidas”. Jin, em uma reflexão intrigante, questiona se relatar corretamente uma ação, sem a sensação de responsabilidade, realmente representa uma verdadeira consciência. Ele traça um paralelo com situações do cotidiano, como dirigir sem lembrar do percurso.
A equipe também utilizou eletroencefalografia (EEG) para medir a atividade cerebral de 67 participantes durante o experimento. Foi observado que sinais importantes relacionados à consciência, como a positividade pré-movimento e o N140, variavam significativamente entre as respostas conscientes e inconscientes, ambos com maior intensidade em momentos de consciência plena.
Notavelmente, à medida que os participantes se engajavam na tarefa, o diâmetro de sua pupila diminuía, indicando uma queda no estado de alerta e, consequentemente, na consciência. Blumenfeld explica que esse fenômeno se intensifica com a progressão do tempo, refletindo uma fadiga crescente e um aumento na distração.
O interesse de Jin nesse tema é profundamente pessoal, uma vez que ele convive com a epilepsia e já experimentou a desconexão entre o ato de realizar tarefas complexas e a memória de tais ações. No futuro, o laboratório planeja utilizar ressonância magnética funcional para investigar ainda mais como as regiões profundas do cérebro contribuem para a consciência.
A ideia de estar ciente de cada ação constantemente pode parecer angustiante. Jin observa que, em muitos casos, essa “inconsciência da ação” pode ser o que nos permite navegar pela vida cotidiana com fluidez, liberando-nos para dedicar energia a tarefas mais complexas e criativas.
