Congresso Boliviano Autoriza Forças Armadas a Agir em Protestos Contra o Presidente Rodrigo Paz e Revoga Limites ao Estado de Emergência

Nesta terça-feira, 26 de maio, o Congresso Nacional da Bolívia sancionou uma controvertida legislação que concede ao presidente Rodrigo Paz a autoridade de mobilizar as Forças Armadas para dispersar protestos e manifestantes que vêm se intensificando nas últimas semanas. A nova lei também revoga regras que restringiam a capacidade do chefe do Executivo de declarar estado de emergência, permitindo uma resposta mais rigorosa à crescente agitação social.

O clima de tensão no país é palpável. Desde que Paz assumiu a presidência em novembro do ano passado, hordas de manifestantes têm tomado as ruas, exigindo sua saída do poder. Os protestos, que se espalharam por diversas regiões, como Cochabamba, Santa Cruz, e Potosí, têm gerado bloqueios significativos nas vias que conectam áreas vitais ao centro político e econômico de La Paz. Esses bloqueios têm resultado em desabastecimento de produtos essenciais, incluindo alimentos e medicamentos, exacerbando uma crise econômica que já era preocupante, com uma inflação registrada de 14% em abril.

Em uma tentativa de abordar a situação, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que enviará ajuda humanitária à Bolívia, a pedido de seu colega Rodrigo Paz. Este gesto ocorre em um contexto de crescente instabilidade social, em que as manifestações estão se tornando cada vez mais expressivas e vocais. Na última segunda-feira, milhares marcharam nas ruas de La Paz, clamando pela renúncia do presidente.

No último fim de semana, as forças de segurança do país realizaram a Operação Bandeiras Brancas, com o intuito de retirar bloqueios da estrada La Paz-Oruro, localizando-se em El Alto, onde se registraram violentos confrontos entre policiais e manifestantes. O governo de Paz ainda atribui as mobilizações ao ex-presidente Evo Morales, figura política proeminente que não pôde concorrer às eleições do ano passado devido a uma decisão do tribunal que limitou o número de reeleições.

Diante da situação caótica, o governo boliviano formalizou uma denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que as manifestações estão tentando desestabilizar a democracia do país. Enquanto isso, a população continua a enfrentar um aumento na escassez e nos preços, destacando uma crise econômica que pede uma resposta urgente e eficaz.

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