Conflito no Oriente Médio deve impactar economia brasileira, elevando inflação e pressionando gastos públicos, alerta relatório da Instituição Fiscal Independente.

O conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã tem causado repercussões notáveis na economia global, que projetam-se também para o Brasil, segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) da Instituição Fiscal Independente (IFI). Nos últimos seis semanas, a tensão no Oriente Médio ampliou suas consequências, afetando países como Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Iraque, Kuwait e Líbano.

Um dos efeitos mais imediatos deste cenário turbulento foi o aumento vertiginoso nos preços do petróleo. O barril do tipo brent, em particular, saltou de US$ 71 para mais de US$ 100, provocando preocupações sobre uma nova onda inflacionária em nível global. Esse contexto levanta preocupações adicionais acerca de uma possível desaceleração econômica, retração do comércio internacional e até a possibilidade de uma crise energética, dependendo da extensão dos danos à produção na região afetada.

Apesar de ser um produtor de petróleo, o Brasil não escapará ileso desse impacto. A IFI prevê que o país enfrentará desafios relacionados à inflação, juros, crescimento econômico e comércio exterior. Para mitigar os efeitos da alta nos combustíveis, o governo brasileiro implementou medidas como subsídios ao diesel e ao gás de cozinha, linhas de crédito para companhias aéreas, desonerações tributárias sobre combustíveis e a postergação de tarifas do setor aéreo. Entretanto, essas iniciativas acarretam aumento nas despesas públicas e uma renúncia de receitas.

Por outro lado, a alta do petróleo também pode gerar efeitos positivos nas contas públicas. A arrecadação de royalties tende a aumentar, assim como os dividendos da Petrobras e os ganhos com a venda de petróleo pela União. A elevação da inflação, por sua vez, pode impulsionar a arrecadação tributária em benefício da União, estados e municípios.

Em busca de um equilíbrio fiscal, o governo propôs medidas para compensar as perdas de receita, como a taxação das exportações de petróleo e diesel, que foi suspensa pela Justiça, e o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros. Apesar dessas tentativas, a IFI adverte que os efeitos fiscais da situação atual podem se tornar mais duradouros. Com a inflação acelerada, haverá pressão para reajustes no salário mínimo a partir de 2027, impactando despesas obrigatórias como aposentadorias e seguridades sociais. Além disso, o cenário poderá desacelerar a queda da taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, aumentando assim os gastos com juros da dívida pública.

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