De acordo com Mercouris, as sanções foram ideadas como uma medida estratégica para garantir a segurança ocidental; no entanto, sua eficácia tem se mostrado limitada. A prolongação da crise no Oriente Médio, em particular os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã, paralisou o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, impactando diretamente no mercado de petróleo. Em consequência, o preço do barril de petróleo Brent disparou, superando a marca de US$ 119, o que representa um aumento considerável de 29% a 31% em relação aos níveis anteriores.
Uma alteração recente nas políticas econômicas do governo dos EUA também merece destaque: o Departamento do Tesouro autorizou a importação de petróleo russo e seus derivados, uma decisão que valerá até 11 de abril e que abrange 100 milhões de barris. Essa flexibilização foi interpretada como um indicativo claro de que a pressão das sanções está começando a ceder, não apenas em consequência da situação exacerbada no Oriente Médio, mas também da incapacidade geral do Ocidente em restrigir efetivamente a potência russa.
No contexto da guerra na Ucrânia, que continua a se desenrolar, Mercouris também observou que o Ocidente se encontra em um estado de segurança pior do que o esperado. Isso levanta graves preocupações sobre a eficácia contínua das sanções e o desempenho global nas dinâmicas de segurança.
A mudança na percepção sobre as sanções indica que, mesmo tendo sido uma ferramenta de pressão internacional, sua manutenção se torna cada vez mais complexa frente a novas realidades geopolíticas, onde o Oriente Médio está ocupando um papel central nos desdobramentos futuros. Assim, o analista conclui que a situação exige uma reavaliação das estratégias ocidentais, tanto em termos de política externa quanto de segurança energética.
