Matheus Moreira, pesquisador do Núcleo de Avaliação da Conjuntura da Escola de Guerra Naval, explica que, apesar de os grandes rios estarem sob a vigilância do governo, as áreas mais remotas e de difícil acesso são dominadas pelos dissidentes. A geografia colombiana, marcada por sua complexidade e pela presença de numerosos rios, favorece essa dinâmica. “O governo precisa investir para reestabelecer seu controle nessas regiões”, destaca Moreira.
Eduardo Gomes, doutor em história e especialista na Colômbia, confirma que essa disputa não é nova, citando a longa história de conflitos pelo controle de territórios significativos, especialmente nas zonas fluviais. “As montanhas e a geografia específica do país são propícias para rotas de fuga e para a dominação de certas áreas”, afirma Gomes.
O conceito de “águas marrons” surge neste contexto, referindo-se aos enfrentamentos que ocorrem nos rios. A Marinha colombiana tem se especializado em operações nesse tipo de ambiente, desenvolvendo estratégias e tecnologia adaptadas para enfrentar os dissidentes em suas zonas de conforto.
Além da fragmentação dos grupos armados, que se intensificou desde a dissolução das FARC, a competição entre o governo e os dissidentes se torna cada vez mais complexa. A situação prevalente nas rotas fluviais é desigual, com a influência do Estado sendo mais forte nas áreas urbanas, enquanto em áreas isoladas e na Amazônia, a luta pelo controle é acirrada.
A relevância desse conflito estende-se além das fronteiras colombianas, afetando países vizinhos como Brasil, Equador e Venezuela. Gomes ressalta que a cooperação regional é crucial, pois os dissidentes podem facilmente migrar entre os países para expandir suas atividades ilícitas. O uso de tecnologias modernas no combate, como drones, também revela a interconexão deste conflito com outras realidades globais, evidenciando um cenário de segurança que demanda atenção internacional.
Portanto, a disputa pelos rios colombianos não é apenas uma questão local; suas repercussões podem reverberar em toda a América do Sul, exigindo uma resposta colaborativa e estratégica dos países da região para lidar com os desafios impostos por esses grupos armados.
