Diante desse trágico cenário, a questão da legalidade da ofensiva militar em curso, conduzida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, se torna premente. Do ponto de vista do direito internacional, a resposta é clara: não há justificativas jurídicas que legitimem tal agressão. Os argumentos apresentados até agora são insuficientes, sendo a alegação de uma ameaça iminente proveniente do Irã uma das principais justificativas. No entanto, essa ameaça nunca foi corroborada por evidências concretas.
Após dez dias de conflito, os próprios Estados Unidos reconheceram a ausência de provas que sustentassem uma ação preventiva. Essa ausência de legitimidade jurídica se estende também à postura de Israel. A situação é ainda mais complicada pelo fato de que, no passado recente, o Irã respondeu a um ataque israelense com uma retaliação relativamente contida, o que sugere uma estratégia mais calculada do que uma reação impulsiva.
A possibilidade de responsabilização no âmbito internacional surge, com discussões sobre a análise dos eventos pelo Tribunal Penal Internacional. O cenário diplomático começa a se agitar, com alguns países europeus adotando posturas mais incisivas em relação à escalada da violência. Alguns líderes já declararam o primeiro-ministro israelense persona non grata, enquanto outros consideram romper relações diplomáticas, evidenciando um aumento na pressão internacional.
Entretanto, é fundamental reconhecer que a efetividade do direito internacional está intrinsicamente ligada à robustez das democracias que o compõem. O enfraquecimento das democracias interna, amplamente observável nas últimas décadas, mina a capacidade do sistema internacional de agir. Dados indicam que apenas 25% a 30% das nações podem ser consideradas como democracias sólidas, e é essa fraqueza que dificulta a consolidação de uma ordem internacional baseada em regras.
Ademais, a recente sucessão no comando político do Irã, com a nomeação do filho de Khamenei como novo líder, sugere uma continuidade na ideologia do regime, desafiando pressões externas e, ao mesmo tempo, reforçando a coesão interna. O conceito de martírio, associado à figura do ex-líder, pode fortalecer a identidade nacional iraniana, reforçando a identidade do regime diante de adversidades externas.
O contexto atual, mais do que uma simples disputa militar, revela tensões profundas que permeiam o sistema internacional, evidenciando o choque entre interesses geopolíticos, a fragilidade das instituições multilaterais e o deterioramento das democracias. Embora o direito internacional ofereça diretrizes claras sobre o uso da força, sua aplicabilidade depende da vontade política dos Estados e da solidez das estruturas democráticas que suportam essa ordem. Assim, enquanto as democracias permanecerem vulneráveis, o papel do direito internacional continuará a enfrentar desafios significativos.
