As desavenças começaram a ganhar força nas últimas semanas, especialmente com a gestora americana Mak Capital, que possui 6,3% das ações da Oncoclínicas. Comunicados recentes indicaram a crescente insatisfação da gestora em relação à gestão atual, apontando riscos imediatos de liquidez e problemas nos serviços oferecidos aos pacientes. Em uma carta enviada aos conselheiros, a Mak até sugeriu que a Oncoclínicas poderia precisar de recuperação extrajudicial, um processo que demandaria uma reformulação do conselho atual, além de propor novos nomes para compor essa diretoria.
A crise se intensificou ainda mais com a divulgação, na quinta-feira (2), de atas de reuniões do conselho datadas de março. Esses documentos revelaram dissidências entre conselheiros independentes, como Marcos Grodetzky e Raul Rosenthal Ladeira de Matos, que questionaram a falta de gravação das reuniões, algo que consideraram inadequado. Eles também levantaram preocupações sobre a proposta de venda, expressando que toda a análise feita indicava que a Oncoclínicas, após a venda, não teria condições financeiras de suportar uma dívida de R$ 1,5 bilhão.
Em conversas, Grodetzky e Matos mostraram-se críticos a privilégios dados a certos credores em detrimento do atendimento aos pacientes, afirmando que recursos disponíveis deveriam ser redirecionados para a aquisição de medicamentos essenciais, e não para favorecer interesses financeiros.
Outro ponto polêmico mencionado nas atas foi a renúncia de Camille Loyo Faria, que atuou brevemente como diretora de Relações com Investidores. A saída dela se deu em meio a descontentamentos sobre a forma como a venda da Oncoclínicas foi comunicada ao mercado, com alegações de que o documento preparado por Faria continha informações excessivas, levando à sua recusa e à escolha de um outro executivo para assinar a versão final.
Até o momento, a Oncoclínicas não se manifestou publicamente sobre os desdobramentos desta crisis interna, deixando espaço para possíveis esclarecimentos sobre a turbulenta situação que envolve a maior rede de oncologia do Brasil.





