Conflito China-EUA: Análise aponta que tensões comerciais podem impulsionar sustentabilidade e beneficiar economias periféricas.

A rivalidade crescente entre China e Estados Unidos, marcada por investigações sobre práticas comerciais e cadeias de suprimento, tem gerado reações que podem impactar positivamente países em desenvolvimento e a sustentabilidade global. Recentemente, a China anunciou uma série de apurações que analisam as restrições impostas pelos EUA a produtos e empresas chinesas, desafiando a dinâmica tradicional de comércio internacional.

Essas apurações, que começaram no final de março, têm um prazo inicial de seis meses, mas podem ser estendidas por mais três. Especialistas afirmam que essa movimentação pode abrir espaço para novas medidas protecionistas, especialmente em um contexto onde a China busca proteger seus interesses, principalmente nas áreas relacionadas à transição energética. A doutoranda em relações internacionais pela Universidade de São Paulo, Ingrid Torquato, destacou que o pragmatismo chinês evita ações revanchistas, focando em fortalecer seu mercado interno.

O desenvolvimento da economia verde na China, impulsionado por investimentos significativos ao longo das últimas três décadas, fez com que o país adquirisse uma posição de destaque na cadeia global de suprimentos de tecnologias sustentáveis. Hoje, aproximadamente 80% dos painéis solares em circulação são fabricados na China, uma prova do pioneirismo chinês nesse setor.

Além disso, o controle da China sobre minérios raros, essenciais para tecnologias como energia solar e veículos elétricos, acirrou a concorrência, favorecendo negociações estratégicas com países riquíssimos em recursos, como Chile e Bolívia. Essa vantagem pode transformar a dinâmica de poder econômico, com um Brasil em posição privilegiada, especialmente com o desenvolvimento do Corredor Bioceânico, que facilitará o acesso a mercados no Pacífico.

No entanto, esse embate geopolítico está longe de ser uma simples disputa de poderes. Torquato sugere que, apesar das tensões, esses conflitos podem gerar efeitos positivos, promovendo inovações e a independência tecnológica em países como a China. O professor de relações internacionais do Ibmec, José Niemeyer, salienta que a guerra no Oriente Médio também recalibra a logística de energia mundial, sublinhando a interconexão complexa entre variáveis financeiras, ambientais e políticas.

Dessa forma, as disputas atuais entre as maiores potências podem ser vistas não apenas como um embate por dominação, mas como um catalisador para o desenvolvimento sustentável e inovação nas chamadas “periferias” globais. A capacidade de nações menores de se beneficiarem dessa dinâmica será medida pela sua habilidade de não apenas reagir, mas também de inovar e se adaptar a essas novas realidades econômicas.

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