Após o término da conferência, Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), enfatizou a importância da colaboração internacional em prol da implementação dos compromissos estabelecidos no Acordo de Paris. Segundo ele, os trabalhos realizados em Bonn forneceram bases para que os países avancem nas negociações que se avizinham.
No entanto, organizações da sociedade civil manifestaram uma visão mais crítica sobre os resultados. O Observatório do Clima avaliou a conferência como decepcionante e evidenciou um clima de incerteza que impossibilitou avanços significativos em questões fundamentais. A entidade relatou uma clara falta de consenso entre os negociadores, que se mostraram incrédulos frente à dificuldade em pactuar metas como a Global Adaptation Goal e sinergias entre convenções ambientais.
Particularmente alarmante foi a resistência de alguns países em desenvolvimento, liderados por China e Índia, em aprovar um trabalho científico fundamental, o AR7, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o que destaca uma crise de confiança nas negociações climáticas. A LACLIMA corroborou essa análise, mencionando bloqueios sistêmicos e o adiamento de decisões essenciais em uma série de áreas críticas, incluindo mitigação e adaptação.
Por outro lado, a Climate Action Network (CAN) enfatizou que o impasse nas discussões sobre adaptação é uma clara indicação da urgência em se aumentar o suporte financeiro destinado a países em desenvolvimento. A organização destacou que, apesar dos diálogos em torno da justiça social e das transições justas, divergências sobre financiamento comprometeram a definição de uma Meta Global de Adaptação.
Em meio a esse panorama, a World Wildlife Fund (WWF) optou por uma avaliação mais otimista, considerando que a conferência em Bonn sinalizou uma transferência gradual do foco nas promessas para a implementação real das ações climáticas. Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas da WWF, ressaltou a relevância da presidência brasileira da COP30, que conseguiu trazer temas emergentes para discussão e promover um ambiente propício para diálogos sobre execução prática.
Para Tatiana Oliveira, do WWF-Brasil, a participação intensa dos países nas negociações é um sinal do compromisso com o multilateralismo. Contudo, ela enfatizou que é crucial tornar esse engajamento em resultados concretos, especialmente no que tange ao financiamento climático, que permanece como um ponto nevrálgico para a implementação de ações de mitigação e adaptação nos países mais vulneráveis. A próxima conferência, portanto, se apresenta como um momento decisivo para definir os rumos da ação climática global.





