Companheiro de mulher assassinada por PM revela planos de casamento em meio à tragédia e pede justiça após a morte cruel em São Paulo.

Na madrugada do dia 3 de abril, uma tragédia ocorreu na Cidade Tiradentes, região leste de São Paulo, quando Thawanna da Silva Solmázio, de 31 anos, foi fatalmente baleada por uma policial militar. O incidente aconteceu durante uma discussão, e a vítima estava acompanhada por Luciano Gonçalves dos Santos, seu parceiro de três anos, com quem planejava se casar.

O casal celebrava seu aniversário de namoro, e em breve completariam o prazo para a oficialização da união, aguardando a emissão da segunda via da certidão de nascimento de Thawanna. Luciano, emocionado, relatou que aquele era um momento especial para eles, cheio de esperanças e planos. Infelizmente, a noite de celebração virou um pesadelo quando Thawanna foi atingida na área do tórax por um tiro disparado pela soldado Yasmin Cursino Ferreira, de apenas 21 anos. A PM, que estava em período de estágio, alegou que a mulher a agrediu, provocando a reação.

Testemunhas e vídeo de câmeras de segurança contradizem a versão da policial. Luciano reitera que não houve qualquer abordagem antes do disparo, e que a viatura policial quase os atropelou, levando Thawanna a expressar sua insatisfação. O autor do disparo não estava usando a câmera corporal, uma exigência para a gravação das ocorrências, e a Polícia Militar não tinha justificado adequadamente sua ação.

Após o incidente, Thawanna agonizou por cerca de 30 minutos antes que alguém chamasse por socorro, embora um hospital estivesse a uma distância relativamente curta. O desespero de Luciano aumentou ao perceber que estavam sendo negligenciados em um momento crítico. Ele se recorda de como estavam planejando economizar R$ 500 para uma lua de mel na Praia Grande, simbolizando o que poderia ter sido uma nova fase em suas vidas.

Luciano prestou depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, onde a morte de sua companheira é investigada. Ele estava acompanhado de seu advogado, o pastor da igreja que frequenta e mais duas testemunhas oculares. A dor da perda foi intensificada pelo fato de que Thawanna deixa cinco filhos de relacionamentos anteriores, e seu falecimento representa um rombo na vida de todos que dependiam dela.

Como desdobramento, Luciano se tornou alvo da investigação policial sob a acusação de resistência, enquanto a soldado que disparou a arma foi afastada de suas funções, esperando-se uma diligente apuração da situação. O caso gerou um forte clamor popular, culminando em protestos na comunidade, onde os moradores exigiam justiça. O temor da violência policial e a impunidade em casos como esse continuam a ser debate em São Paulo, refletindo uma realidade angustiante enfrentada por muitos.

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