Entretanto, a transição para essa nova forma de comércio não é isenta de desafios. O principal deles reside na necessidade de garantir a segurança nas transações. Nesse sentido, a tokenização se reafirma como um elemento central. Ao invés de o consumidor inscrever suas informações diretamente durante o check-out, ele as fornece ao agente de IA, que, por sua vez, solicita um token às entidades responsáveis, mantendo assim o sigilo das informações pessoais.
Para que essa dinâmica funcione de maneira confiável, cartão, agente de IA e dispositivo precisam estar interconectados, formando um ecossistema seguro e rastreável. Contudo, a tokenização, por si só, não é suficiente. A implementação de camadas adicionais de autenticação, como a biometria, desempenha um papel essencial na validação das partes envolvidas na transação. Isso não apenas protege contra fraudes, mas assegura que a intenção e o consentimento do consumidor estejam claros, um aspecto vital em um cenário onde as decisões podem ser tomadas automaticamente.
A evolução do comércio agêntico também exige a definição de padrões técnicos e diretrizes de participação. Esforços nesse sentido são fundamentais para organizar o ecossistema, permitindo uma integração segura entre emissores, adquirentes e provedores de tecnologia.
Esse movimento abre espaço para novas funções dentro da cadeia de valor, como a figura do “Agent Enabler”, que facilitará a integração entre os agentes de IA e o sistema de pagamentos, garantindo conformidade e interoperabilidade. Contudo, os emissores de cartões devem investir para adaptar suas infraestruturas a esse novo modelo. As instituições financeiras já possuem plataformas próprias de e-commerce, que podem ser fundamentais para as primeiras experiências em comércio agêntico.
Por outro lado, o varejo digital enfrentará o desafio de tornar seus sites compatíveis com os agentes de IA, o que requer uma reestruturação dos dados de produtos e a criação de interfaces adequadas. Em cenários mais avançados, podemos esperar interações diretas entre agentes, onde um agente do consumidor se comunica diretamente com o do vendedor para buscar, comparar e negociar opções.
Em um cenário encorajador, dados recentes indicam que o uso de soluções baseadas em IA se tornou parte da rotina de milhões de pessoas, particularmente nos Estados Unidos, onde uma pesquisa revelou que mais de 60% da população adulta utilizou IA em seis meses de 2025. Isso proporciona uma base sólida para a adoção do comércio agêntico, que já começou a se concretizar. No entanto, sua consolidação será condicionada à construção coordenada de infraestrutura, regras e confiança entre todos os envolvidos.
