Com Pacote de Medidas, Lula Vê Aumento na Aprovação e Desvincula-se de Noticiário Negativo em Ano Eleitoral

Na avaliação da coordenação da pré-campanha para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os recentes anúncios positivos do governo e eventos diplomáticos, como a reunião com o presidente dos Estados Unidos, contribuíram substancialmente para a melhoria na aprovação do governo. Essa percepção é respaldada pela pesquisa Datafolha divulgada recentemente, a qual indicou uma redução na diferença entre as avaliações positiva e negativa da administração federal.

Segundo assessores próximos, Lula tem conseguido se distanciar da maré de notícias desfavoráveis que prevaleceu nos primeiros meses do ano. Se, na edição de abril da pesquisa, a diferença entre as avaliações negativas (29%) e positivas (40%) era de 11 pontos percentuais, essa distância caiu para 9 pontos em uma pesquisa mais recente, e para apenas 6 pontos na edição mais recente, com 38% de aprovação e 32% de desaprovação.

Éden Valadares, secretário de comunicação do Partido dos Trabalhadores e um importante membro da campanha à reeleição, afirma que a mudança no ambiente político se deve, em parte, ao fato de que, durante o primeiro trimestre, a gestão teve poucos avanços concretos e foi dominada por escândalos relacionados a figuras próximas ao governo, como o senador Flávio Bolsonaro. A partir de abril, a estratégia se concentrou em promover a defesa de temas como a redução da jornada de trabalho 6×1 e intensificar ataques aos opositores.

Recentemente, a administração de Lula implementou um “pacote de bondades”, que inclui a nova versão do programa Desenrola, a eliminação de taxas sobre produtos variados, subsídios para combater a alta nos preços dos combustíveis, e linhas de crédito específicas para taxistas e motoristas de aplicativo que desejam trocar de veículos. A retomada dessa agenda positiva, junto com as viagens internacionais do presidente e a intensificação de ações que impactam diretamente a vida da população, tem gerado bastante repercussão.

O secretário Valadares também destaca que a cobertura midiática focada nas investigações envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro tem ajudado a moldar a percepção do governo. Embora reconheça que a aprovação ainda careça de um impulso mais acelerado, ele argumenta que as condições atuais não favorecem mudanças bruscas e que é importante alinhar as expectativas em relação aos índices de aprovação na política contemporânea, onde não se deve esperar índices superiores a 70% a 80%.

Para Valadares, o atual processo de mudança na avaliação do governo é gradual, mas está seguindo o caminho possível dentro da conjuntura política. “É preciso entender que, no cenário atual, não teremos presidentes com altas taxas de aprovação, e devemos focar nas estratégias que funcionam em 2026, não mais em 2006”, conclui.

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