No primeiro turno, realizado em 31 de maio, De La Espriella saiu na frente, conquistando uma vantagem de 673 mil votos em um total de mais de 41 milhões de eleitores. O comparecimento às urnas ficou em 57%, evidenciando uma participação ativa, embora o voto não seja obrigatório. A situação política da Colômbia é complexa e tensa, especialmente à luz dos contínuos conflitos armados que persistem há mais de cinco décadas, somados aos recentes episódios de violência política que desafiam o projeto “Paz Total” do governo atual.
Sebástian Granda Henao, professor de Direitos Humanos, observa que a vitória de De La Espriella poderia consolidar a influência de Trump na América Latina, resultando em um alinhamento mais próximo com a política da Casa Branca, que já tem divulgado estratégias concentradas na “guerra às drogas” e controle de migrações. Essa perspectiva levanta preocupações sobre a possível paralisação de iniciativas voltadas para justiça social e meio ambiente.
Por sua vez, uma eventual vitória de Cepeda poderia fortalecer alianças progressistas na região, particularmente entre países como Brasil e México, que, nos últimos anos, têm buscado articulações semelhantes em questões internacionais. A trajetória de Cepeda é marcada por um histórico de defesa dos direitos humanos, sendo filho de um ex-senador assassinado em um contexto de violência política.
Enquanto isso, De La Espriella, um advogado multimilionário e considerado outsider na política tradicional, tem se destacado por seu discurso enérgico e conexão com a nova direita latino-americana, frequentemente retórica em relação à segurança e combate ao narcotráfico. O apoio de Paloma Valencia, terceira colocada no primeiro turno, pode fornecer a De La Espriella um impulso decisivo, mas o cenário permanece imprevisível. A dinâmica eleitoral pode mudar devido a fatores como a Copa do Mundo, que costuma afetar o engajamento político, além da busca de eleitores por um candidato de direita mais moderado.
Com tantas variáveis em jogo, o segundo turno promete ser uma batalha acirrada, refletindo não apenas as escolhas dos colombianos, mas também as dinâmicas políticas que moldam a região.
