Em 2017, a estudante Ndeye Fatou Ndiaye, então com 15 anos e de origem senegalesa, se tornou alvo de mensagens racistas enviadas por colegas em um grupo de WhatsApp. Frases ofensivas, como “dou dois índios por um africano” e “quanto mais preto, mais preju”, foram utilizadas para humilhar a adolescente. Essas agressões não foram incidentes isolados; Fatou havia enfrentado uma série de ofensas e intimidações raciais, que foram reportadas repetidamente à direção da escola. Contudo, segundo a Defensoria Pública do Estado do Rio (DPRJ), a resposta da instituição foi limitada a ações superficiais, sem a implementação de políticas contínuas de combate ao racismo.
O episódio ganhou notoriedade em 2020, quando as mensagens foram divulgadas nas redes sociais, provocando uma onda de indignação que mobilizou artistas e movimentos sociais. Fatou, que estuda na escola desde os cinco anos e reside na mesma região, tomou conhecimento dos ataques através de um amigo que fazia parte do grupo.
Durante a investigação, o colégio admitiu que as mensagens eram de alunos da 1ª série do Ensino Médio. O teor das conversas incluía comparações entre pessoas negras e objetos, revelando a gravidade da situação. Um dos comentários chegou a sugerir a venda da colega em um site de comércio virtual ao completar 18 anos, enquanto outro fazia alucinações racistas sobre pintar colegas para “vender” posteriormente.
Depois da repercussão, a escola começou a implementar medidas mais sérias para combater o racismo, uma mudança que, segundo a Defensoria, evidenciou a falta de resposta adequada às denúncias anteriores. A ação civil pública, promovida pela DPRJ e pelo Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), reivindicou, além da indenização, a criação de políticas duradouras para o enfrentamento de situações discriminatórias e a proteção da comunidade escolar.
O TJ-RJ, ao analisar o caso, reafirmou que o racismo no ambiente escolar não afeta apenas indivíduos, mas repercute em toda a coletividade — alunos, famílias e a sociedade como um todo. A decisão, portanto, reflete a necessidade urgente de ações efetivas para estabelecer um ambiente educativo seguro e igualitário.






