CNJ Propõe Nova Medida para Substituir Aposentadoria Compulsória como Penalidade a Juízes por Infrações Graves

No plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), uma nova proposta para regulamentar a demissão de juízes começou a ser analisada nesta terça-feira, 23 de junho de 2026. A iniciativa visa substituir a aposentadoria compulsória, que atualmente é a pena máxima aplicada em casos de infrações graves, como corrupção, venda de sentenças e assédio. Essa mudança se alinha ao entendimento mais recente da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou imprópria a aplicação da aposentadoria compulsória como forma de punição.

O relator da proposta, conselheiro Ulisses Rabaneda, apresentou a ideia de uma nova modalidade de sanção, chamada “disponibilidade com perda de cargo”. Com essa proposta, sempre que um processo administrativo disciplinar (PAD) apontar para infrações graves, o juiz envolvido poderá ser afastado de suas funções imediatamente, mesmo que a decisão final sobre a perda do cargo necessite de outras etapas processuais para ser confirmada.

Enquanto o processo está em andamento, o magistrado afastado receberia vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Isso garantiria que a vaga do juiz fosse oficialmente declarada como aberta, permitindo ao tribunal iniciar o processo de nomeação de um substituto. Após a decisão na esfera administrativa, o caso também passaria por reexame no CNJ. Se a sanção de disponibilidade com perda de cargo for ratificada, a Advocacia-Geral da União (AGU) daria seguimento ao processo junto ao STF, que é a instância final responsável por validar a aplicação da pena.

Essa proposta tem como objetivo evitar que juízes acusados de delitos permaneçam em suas funções enquanto os processos disciplinares seguem, assegurando, assim, a integridade do sistema judiciário. Além disso, o relator destacou a importância de um fluxo de revisão judicial que possa garantir a segurança jurídica, tanto para os magistrados quanto para a sociedade.

Após a apresentação da proposta, o julgamento foi suspenso e será retomado em 4 de agosto, quando novos debates devem ocorrer sobre a regulação dessa nova abordagem disciplinar no Judiciário. Essa mudança representa um passo significativo em direção à modernização das práticas administrativas dentro do sistema judicial brasileiro, buscando maior transparência e responsabilidade no exercício da magistratura.

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