A equipe de pesquisa, liderada por Ruth Shady, destacou que a seca não resultou em um colapso imediato. Apesar de as condições climáticas adversas terem forçado os habitantes de Caral a abandonarem suas terras, muitos migraram para áreas costeiras e interiores do vale, onde estabeleceram novas comunidades. Crucialmente, esses grupos foram capazes de preservar suas tradições culturais e rituais arquitetônicos durante a transição.
Os achados em Vichama foram particularmente reveladores. Os arqueólogos encontraram frisos tridimensionais que retratam cenas que simbolizam a fome e a renovação, incluindo representações de mulheres grávidas, peixes e uma rã sendo atingida por um raio, simbolizando a esperança de chuvas que poderiam restaurar a fertilidade da terra. Essa iconografia sugere um profundo entendimento dos ciclos naturais e uma adaptação cultural significativa à adversidade.
Na localização de Penico, os vestígios de estruturas monumentais similares às de Caral indicam que essa sociedade era organizada em torno de atividades relacionadas à pesca, agricultura e comércio, sem sequer apresentar evidências de conflitos armados. Restos de animais amazônicos, cerâmicas com motivos da floresta e conchas do Equador foram descobertos, refletindo a dinâmica de comércio regional ativa e a diversidade cultural que caracterizava a civilização de Caral.
Os pesquisadores acreditam que a resposta da civilização de Caral à intensa estiagem foi notoriamente singular, pois não apenas se adaptou, mas também demonstrou resiliência, mantendo a coesão social e evitando divisões internas. Essa capacidade de adaptação e migração, mantendo as tradições culturais, fornece lições valiosas para sociedades contemporâneas que enfrentam desafios climáticos. As descobertas em Caral não são apenas um testemunho do passado, mas também uma fonte de inspiração para o futuro diante das mudanças climáticas globais.









