A doença de Parkinson é notoriamente progressiva e, segundo o neurologista Antonio Catharino, professor na Universidade Iguaçu (Unig), a DBS pode ser um divisor de águas. “Embora a doença avance, a estimulação cerebral profunda ajuda o paciente a levar uma vida mais satisfatória por um longo período”, diz ele. O especialista detalha que, em diversos casos, os benefícios da cirurgia podem durar de cinco a 15 anos.
Estudos clínicos realizados em 2021 evidenciam que a DBS pode manter resultados positivos por mais de uma década em pacientes com Parkinson. Em pesquisas que monitoraram grupos por até 15 anos após a cirurgia, foram observados aprimoramentos significativos em sintomas motores, como tremores e rigidez, além de uma redução na dependência de medicamentos. Um dos pontos positivos desse tratamento é a possibilidade de diminuir a dosagem de levodopa, medicamento utilizado para o controle da doença, o que ajuda a minimizar efeitos colaterais comuns no uso prolongado.
O DBS funciona ao regular a atividade elétrica de regiões específicas do cérebro implicadas na motricidade, resultando numa redução de 50% a 60% dos principais sintomas motores. Além da motricidade, a enfermidade pode afetar a fala e a cognição. De acordo com Catharino, a redução da levodopa pode chegar a 60%, proporcionando maior autonomia nas atividades diárias e facilitando a reintegração social dos pacientes.
Os resultados do tratamento variam conforme o tipo de Parkinson e a resposta inicial ao uso de levodopa. O neurologista destaca que o DBS é mais eficaz em indivíduos mais jovens, geralmente abaixo dos 75 anos, e ressalta a importância de uma avaliação cuidadosa e de um acompanhamento multidisciplinar pós-operatório para maximizar os benefícios e minimizar os riscos da cirurgia.
No entanto, é crucial entender que o DBS não é uma solução mágica, pois não aborda todos os sintomas da doença. Problemas relacionados à marcha e ao equilíbrio, bem como alterações cognitivas, costumam ter uma resposta limitada ao tratamento, sendo que a doença continua a seguir seu curso natural.
“Compreender essas limitações é vital para alinhar expectativas. O DBS não cura, mas é uma ferramenta poderosa que melhora a qualidade de vida dos pacientes por muitos anos”, enfatiza Catharino. O procedimento, quando executado por equipes experientes, é considerado seguro, com complicações graves sendo raras. A trajetória de Moacyr Luz destaca não apenas os avanços médicos, mas também a importância de continuar a discussão sobre opções de tratamento que podem transformar a vida de pacientes com Parkinson.







