Ciro, que já governou o Ceará nos anos 1990 pelo PSDB, retorna à sigla em um esforço para reerguer sua base política no estado, que sofreu desgastes significativos e rupturas com antigos aliados, incluindo seu próprio irmão, o senador Cid Gomes, ligado ao PSB. Durante o evento de lançamento de sua pré-candidatura, Ciro expressou seu desejo de trazer o ex-prefeito Roberto Cláudio, do União Brasil, como candidato a vice-governador em sua chapa.
A nova candidatura de Ciro promete intensificar a disputa dentro da família Gomes, especialmente porque Cid mantém uma aliança com o atual governador Elmano de Freitas e com o ministro da Educação, Camilo Santana, figuras proeminentes do PT no Ceará. Essa dinâmica familiar pode complicar ainda mais a situação política no estado, onde as rivalidades históricas têm se intensificado nos últimos anos.
Ciro busca, com essa decisão, recuperar o protagonismo que perdeu na cena política regional após um desempenho insatisfatório nas eleições de 2022. Naquele pleito, ele enfrentou uma de suas piores performances presidenciais e viu seu candidato ao governo do Ceará terminar em um distante terceiro lugar, o que motivou sua volta à política local.
Ainda que tenha optado por não entrar na corrida presidencial, Ciro Gomes se mantém relevante nas pesquisas de intenção de voto em nível nacional. No mais recente levantamento do Datafolha, ele aparece em terceiro lugar, com 5% das intenções. Uma pesquisa anterior da Genial/Quaest, realizada em abril, mostrou que Ciro está numericamente à frente de Elmano em um possível primeiro turno no Ceará, embora enfrente dificuldades contra Camilo Santana.
A pré-candidatura de Ciro Gomes também representa uma estratégia do PSDB para recuperar sua relevância tanto no cenário político nacional quanto regional. Sob a liderança de Aécio Neves, o partido busca reorganizar suas forças e evitar um novo enfraquecimento nas eleições sequentes, preparando-se para os desafios que virão em 2026.
