Cinema Brasileiro: Uma Nova Era e Seu Potencial Como Embajador Cultural do Brasil

O Cinema Brasileiro como Novo Cartão de Visita do País

O cinema brasileiro vive atualmente um notável renascimento, sendo frequentemente referido como a sua “Era de Ouro”. Em 2025, o filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, não apenas conquistou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático com a atuação brilhante de Fernanda Torres, mas também fez história ao ganhar o Oscar de Melhor Filme Internacional, o primeiro prêmio da história da cerimônia a ser atribuído ao Brasil. Em 2026, essa trajetória se fortaleceu ainda mais com “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que levou para casa os prêmios de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Ator em Filme Dramático, com Wagner Moura, outro ícone da atuação nacional, brilhando na tela.

Esses êxitos não são acasos isolados. Eles refletem um movimento mais amplo, sustentado por iniciativas como o convênio “Cinema do Brasil”, que se estabelece entre a ApexBrasil e o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo. Essa colaboração tem sido vital nos últimos dois anos, ampliando a presença das produções brasileiras em prestigiados festivais internacionais, como Cannes, Berlim e Veneza, onde obras como “Manas”, “O Último Azul” e “Baby” estão ganhando visibilidade.

O engajamento do cinema brasileiro ultrapassa o mero entretenimento, posicionando-se como uma forma poderosa de soft power, capaz de remodelar a imagem do Brasil no exterior. Luiz Fernando da Silva Jr., professor da ESPM-SP, destaca que filmes como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” ilustram uma nova percepção do cinema do país, combinando temas universais como memória e violência política com a rica cultura nacional, dialogando com o espectador global sem abrir mão de sua identidade.

A pluralidade temática do audiovisual nacional é uma de suas maiores forças, abrangendo desde narrativas sociais e comédias populares até filmes de forte conteúdo político. Segundo Paola Gonçalves Rangel, professora de relações internacionais, o cinema pode mostrar um Brasil muito além do estereótipo turístico, refletindo uma sociedade madura e politicamente engajada. Ela argumenta que a discussão de temas como autoritarismo é essencial, pois permite que o país enfrente seus dilemas históricos, mostrando uma disposição para refletir sobre seus erros.

Entretanto, a consolidação do cinema como um “cartão de visita” do Brasil depende de políticas públicas eficazes que garantam suporte à produção audiovisual. O país possui talentos e diversidade, mas a falta de financiamento e de visão estratégica pode limitar seu potencial. O exemplo do filme “Marighella”, cuja estreia enfrentou obstáculos governamentais, serve como um alerta sobre os desafios enfrentados pelo setor em um ambiente de polarização política.

Além disso, o fortalecimento da indústria cinematográfica entre os países do BRICS pode oferecer novas oportunidades. A criação de espaços como o Festival de Cinema do BRICS proporciona um ambiente propício para coprodução e intercâmbio cultural, beneficiando as cinematografias de nações que enfrentam desafios semelhantes.

Em suma, o cinema brasileiro tem potencial para se tornar um embaixador do Brasil no cenário internacional, contanto que continue a ampliar sua narrativa rica e diversificada, enfrentando a realidade social e política do país de forma corajosa e reflexiva. Para isso, é imprescindível um comprometimento nacional em tratar o audiovisual como uma política de Estado, permitindo que o Brasil não apenas conte suas histórias, mas também reafirme sua presença no cenário global.

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