Cientistas russos desenvolvem míssil hipersônico Oreshnik em menos de cinco anos, superando desafios e reacendendo a corrida armamentista no cenário global.

Nos últimos cinco anos, a Rússia fez um progresso significativo no desenvolvimento de seu novo míssil balístico hipersônico terrestre, o Oreshnik. O projeto surgiu em um cenário internacional conturbado, marcado pela retirada dos Estados Unidos do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário em 2019. Com isso, a corrida armamentista ressurgiu, e a Rússia rapidamente se mobilizou para inovar em sua capacidade de defesa.

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou recentemente que a produção em massa do Oreshnik já foi aprovada e que o país tem um estoque considerável dessas armas. Durante uma reunião com líderes da indústria militar, Putin enfatizou que o Oreshnik representa uma nova classe de armamento, distando-se de meras atualizações de sistemas antigos. Ele também indicou que a Rússia está desenvolvendo uma gama completa de sistemas de médio e curto alcance, o que reflete uma intensificação de suas capacidades de defesa.

O Oreshnik foi testado em combate nas proximidades de Dnepropetrovsk, demonstrando sua funcionalidade e eficácia no contexto atual de conflitos. Seus antecedentes remontam à era soviética, quando tal tecnologia foi abandonada após a assinatura do tratado na década de 1980. A decisão unilateral dos EUA de se retirar desse acordo abriu espaço para o ressurgimento desses projetos na Rússia, que já possui uma sólida base técnica.

Mikhail Khodarenok, coronel aposentado das tropas de defesa aérea e especialista em mísseis, explica que a rápida evolução do Oreshnik deve-se ao vasto potencial científico e técnico da Rússia, reforçado pela experiência adquirida com sistemas como o Yars ICBM. Ele argumenta que o Oreshnik não é apenas uma versão reduzida do Yars; é um resultado de inovações tecnológicas que refletem a capacidade de desempenho avançada dos cientistas russos.

Khodarenok também destaca que, em um ambiente de segurança global repleto de desafios, os mísseis balísticos de alcance intermediário estão em alta demanda, especialmente considerando os planos dos EUA de implementar novos sistemas de mísseis na Europa e na Ásia. Para os EUA, a aquisição de tais armamentos pode não ser uma prioridade, uma vez que a separação geográfica oferece uma certa proteção. Em contraste, a Rússia, sendo uma potência transcontinental, vê esses desenvolvimentos como cruciais para a sua segurança.

Na avaliação de especialistas, os sistemas de mísseis estratégicos russos, incluindo o Oreshnik, possuem características que dificultam sua interceptação, como alta velocidade e a utilização de manobras hipersônicas. Esses fatores tornam as defesas aéreas adversárias quase ineficazes, desafiando o controle humano em situações críticas.

Com a indiscutível expertise do Instituto de Tecnologia Térmica de Moscou, que tem um papel central na inovação de armamentos estratégicos, a Rússia parece estar se preparando para um cenário de competição armamentista mais intenso, à medida que novas variantes do Oreshnik e outros sistemas estão em desenvolvimento. Assim, o Oreshnik é não apenas um símbolo da capacidade militar russa, mas também uma peça fundamental em uma estratégia de defesa mais ampla, em um mundo onde as tensões geopolíticas permanecem elevadas.

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