A investigação, que utilizou eletroencefalogramas (EEG) para monitorar a atividade elétrica cerebral, concentrou-se em casais que dançavam tango argentino, uma dança famosa por sua improvisação e pela proximidade física entre os dançarinos. Os cientistas observaram que, quando os casais se moviam em perfeita harmonia, seus padrões cerebrais também se alinhavam, conceito que é conhecido como “sincronização neural” ou “proteção intercerebral”. Esse fenômeno já havia sido documentado em outras interações sociais, como duetos de violão, mas a aplicação no contexto da dança trouxe novas informações sobre a relação entre movimento e atividade cerebral.
Para aprofundar essa análise, Roque observou cinco pares de dançarinos experientes, incluindo Ruojia Sun, uma dançarina profissional que se tornou coautora do estudo. Segundo ela, o tango é repleto de sutilezas que não são encontradas em outras danças coreografadas, como sinais de compressões de mão ou alterações na postura. Esta natureza do tango possibilitou um ambiente perfeito para o estudo, permitindo que os pesquisadores medíssem tanto a atividade cerebral quanto a movimentação corporal dos participantes.
Os resultados do experimento mostraram que a sincronia dos passos estava diretamente ligada à sincronização das ondas cerebrais, com ondas beta, que indicam concentração, se tornando predominantes quando os dançarinos estavam em harmonia. Em contraste, a falta de coordenação resultava em padrões descompassados de atividade cerebral.
Além das descobertas acadêmicas, a pesquisa incluiu a criação de um dispositivo vestível que monitoriza a atividade cerebral dos dançarinos e emite vibrações para sinalizar a sincronia. Segundo Sun, quando testou o aparelho, as vibrações eram desconfortáveis na falta de sincronia, mas se tornavam agradáveis no momento em que estavam alinhados, intensificando a sensação de conexão entre os parceiros. Roque planeja aprimorar essa tecnologia para que ela vibre apenas em momentos de desencontro, transformando a ausência de vibração no sinal de que os dançarinos estão em perfecta sincronia.
Os resultados deste estudo foram tão inesperados que foram apresentados durante a 20ª Conferência Internacional sobre Interação Tangível, Incorporada e Corporificada, em Chicago. Com estas inovações e descobertas, espera-se que a tecnologia possa não apenas aprimorar o entendimento em danças, mas também aplicada a esportes coletivos e atividades em grupo, promovendo conexões mais profundas entre indivíduos.
