Em sua análise, Ananieva afirma que, embora já tenhamos descoberto alguns planetas semelhantes ao nosso, os que apresentam uma massa menor tornam-se progressivamente mais difíceis de serem identificados. Esse cenário se agrava quando se considera que planetas com características próximas às da Terra, caso estejam orbitando estrelas semelhantes ao Sol, geram oscilações extremamente sutis na velocidade radial de sua estrela mãe. Para se ter uma ideia, essas oscilações estão na ordem de dez centímetros por segundo, um movimento diminuto que tende a escapar da capacidade de detecção dos instrumentos disponíveis.
Ananieva aponta que as anãs vermelhas, um tipo de estrela com massa entre 0,1 e 0,5 vezes a do Sol, oferecem um campo mais favorável para a descoberta de planetas terrestres. Isso se dá porque os efeitos gravitacionais provocados por planetas em órbita em torno dessas estrelas são mais evidentes, facilitando a identificação das suas presenças.
Outro ponto importante levantado pela pesquisadora é a ausência de uma classificação oficial e bem definida para planetas extrassolares, conforme as diretrizes da União Astronômica Internacional. Ela recorda que os primeiros exoplanetas identificados foram batizados de “Júpiteres quentes”, referindo-se a planetas que possuem massas variando entre 0,3 e 13 vezes a de Júpiter, orbitando suas estrelas a uma distância que permite conclui-las em menos de dez dias.
A contínua evolução da astronomia e da tecnologia poderá revelar ainda mais sobre esses mundos distantes e a possibilidade de encontrarmos companheiros cósmicos semelhantes à Terra em nosso vasto e enigmático universo.
