As expedições, realizadas entre 2017 e 2019, concentraram-se em dois locais significativos: Gerze e Rutog. Em ambos os pontos, equipes de pesquisadores coletaram amostras rochosas que foram enviadas para análise na Universidade de Glasgow, na Escócia. Entre os colaboradores estavam estudantes de pós-graduação da Universidade de Nanquim, que se juntaram a esta empreitada científica. Durante os estudos, foram utilizadas técnicas de termocronologia de baixa temperatura, que possibilitam determinar o tempo de resfriamento das rochas enquanto ascendiam das profundezas da Terra em direção à superfície.
De acordo com as análises, os resultados indicam que, entre 45 e 20 milhões de anos atrás, as partes central e ocidental do planalto apresentaram desenvolvimentos geológicos muito distintos. Esta diferença se correlaciona diretamente com as fases de subducção da placa indiana, onde a parte ocidental já havia começado a afundar sob a placa eurasiática, resultando em intensa atividade montanhosa, enquanto a região central permaneceu relativamente estável.
A geóloga Cristina Persano, da Universidade de Glasgow, salientou a importância de estudar a geografia do terreno, afirmando que esse é um dos métodos mais eficazes para investigar o manto da Terra. Persano enfatizou que a topografia e as camadas geológicas são repletas de informações cruciais sobre os processos que ocorrem abaixo da superfície. Sem esse entendimento, as comunidades ficam vulneráveis a desastres naturais, como terremotos e erupções vulcânicas, tornando a pesquisa sobre a formação do planalto tibetano essencial não apenas para a geologia, mas também para a segurança e compreensão das dinâmicas da Terra.
As descobertas sobre o planalto tibetano não apenas acrescentam conhecimento à geologia global, mas também ressaltam a interconexão entre as forças tectônicas e as características geográficas que moldam nosso planeta.





