Cientistas Descobrem Fóssil de 518 Milhões de Anos com as Mais Antigas Presas de Aranha e Revelam Raízes da Evolução dos Quelicerados.

Cientistas associados à Universidade de Leicester, no Reino Unido, e à Universidade de Yunnan, na China, anunciaram uma descoberta marcante ao identificarem a mais antiga evidência conhecida de presas de aranha. O estudo que documenta essa pesquisa foi publicado em 1º de julho na renomada revista científica Nature.

O fóssil em questão pertence a uma criatura denominada urokodia, datada de impressionantes 518 milhões de anos. Este organismo é considerado um dos mais bem-sucedidos grupos de animais da história da Terra, e sua principal arma de caça parece ter sido as presas. É importante ressaltar que a aparência de urokodia é bastante diferente da que associamos às aranhas modernas. Com apenas 2 a 3 centímetros de comprimento, esse animal possui grandes olhos, um corpo segmentado e pernas finas e delicadas, lembrando mais um pequeno crustáceo ou um inseto do que as aranhas que conhecemos hoje.

O fóssil foi encontrado no renomado sítio paleontológico de Chengjiang, na província de Yunnan, no sul da China, que é reconhecido como um dos locais mais significativos para o estudo da evolução da vida na Terra. Para realizar a análise, os pesquisadores utilizaram tomografia de raios X, um método que possibilita a visualização interna das amostras sem danificá-las. Com essa técnica, observaram que grande parte do tecido mole de urokodia permanecia mumificado, mesmo após centenas de milhões de anos.

Surpreendentemente, os pesquisadores notaram a presença de dois pequenos membros semelhantes a pinças localizados logo abaixo dos olhos do animal. Esses membros ancestrais, que são os primeiros indícios das quelíceras, representam uma fase primitiva que, em aranhas modernas, evoluiu para as presas com glândulas venenosas, enquanto em escorpiões, transformaram-se nas icônicas pinças.

Adicionalmente, a equipe de cientistas também identificou em urokodia estruturas que se assemelham a guelras de livro, órgãos respiratórios compostos por várias placas finas que se dobram como páginas. Essas guelras são semelhantes às que encontramos em modernos caranguejos-ferradura, indicando que o urokodia era, provavelmente, uma criatura marinha habitando as profundezas dos vastos oceanos antigos. A descoberta não apenas traz novas informações sobre os ancestrais das aranhas, mas também enriquece nosso entendimento sobre a evolução dos quelicerados, um grupo que inclui aranhas, escorpiões, ácaros e carrapatos, todos com mais de 100.000 espécies já identificadas.

Sair da versão mobile