Tradicionalmente, a extração de DNA antigo se concentra em restos de esqueletos, camadas de solo ou artefatos encontrados em escavações. Porém, esta equipe de cientistas decidiu explorar outra abordagem: analisar as paredes das cavernas, tanto decoradas quanto não decoradas. Esta pesquisa abrangia 54 amostras coletadas em 11 cavernas da Espanha e de Portugal, incluindo icônicas pinturas rupestres, como as da famosa caverna de Altamira. A iniciativa foi motivada pela hipótese de que as impressões genéticas humanas poderiam ser preservadas por mais tempo do que se imaginava, mesmo após a extinção dos indivíduos que viveram ali.
Os resultados foram impressionantes. A análise revelou que o DNA encontrado nas paredes provinha, em sua maioria, de mulheres, mas também identificou um indivíduo masculino. A equipe conseguiu isolar DNA nuclear suficiente de duas amostras, o que permitiu a associação com os caçadores-coletores ocidentais, um grupo já conhecido através de outros vestígios encontrados na mesma região.
Esta pesquisa abre novas possibilidades para a compreensão dos padrões migratórios e da vida social dos povos pré-históricos. Os cientistas também destacaram que o DNA poderia ter chegado às paredes das cavernas através de fluidos corporais ou, de maneira indireta, por meio de água ou sedimentos.
Entretanto, as tentativas de recuperar DNA de uma ferramenta de pintura feita de osso de pássaro não obtiveram sucesso, possivelmente devido à contaminação moderna que pode ter eliminado qualquer vestígio do passado.
Embora a preservação desse DNA ainda seja uma ocorrência rara e não possa ser diretamente vinculada aos artistas que estiveram nas cavernas, as descobertas apontam para um futuro promissor em pesquisas que podem desvendar mais sobre a vida nas cavernas, os visitantes e suas interações com o ambiente. O próximo passo dos cientistas será expandir essa investigação para outros locais e técnicas artísticas, em uma busca contínua por compreender melhor nossa história coletiva.
