Estes buracos negros primordiais, que têm aproximadamente três massas lunares, são considerados remanescentes de flutuações quânticas ocorridas após o Big Bang. A teoria sugere que, nessas flutuações, algumas regiões poderiam ter colapsado em buracos negros muito menores do que os que normalmente observamos, que se formam a partir da morte de estrelas massivas. Apesar de sua diminuta gravidade, esses objetos poderiam ainda curvar o espaço-tempo ao seu redor, causando fenômenos de microlente gravitacional — um efeito em que a gravidade de um objeto distorcido temporariamente a luz de estrelas distantes.
A Câmera de Energia Escura registrou o aumento de brilho em dezembro de 2019 durante o levantamento de microlentes, evidenciando um sinal em uma única estrela, sem interferência das demais. Para diferenciar o fenômeno, os pesquisadores analisaram possíveis causas, descartando artefatos instrumentais e fenômenos conhecidos, e modelaram três cenários com diferentes tipos de objetos. As análises estatísticas indicaram uma maior probabilidade de o fenômeno estar relacionado a um buraco negro primordial no halo de matéria escura da galáxia, em vez de a eventos ligados a estrelas ou exoplanetas.
Essa descoberta alimenta o debate acadêmico sobre a existência de buracos negros primordiais, especialmente em um contexto onde, em 2026, outro grupo de astrônomos encontrou indícios de microlentes em Andrômeda. Porém, a interpretação desse fenômeno foi contestada por uma equipe da Universidade de Varsóvia, que os atribuiu a estrelas comuns. O novo estudo traz à tona novas possibilidades, sugerindo que uma população de buracos negros pequenos pode realmente existir no universo, ao mesmo tempo em que questiona nosso entendimento atual sobre a formação e a distribuição de matéria no cosmos. Esse avanço representa um importante passo na busca por respostas aos mistérios que cercam as origens do universo e suas estruturas mais fundamentais.
