A equipe, além de realizar estudos atmosféricos e oceânicos, coletou amostras de gelo e neve diretamente das geleiras, um processo conhecido como “testemunho de gelo”. Simões enfatizou a importância da colaboração entre os cientistas, que não apenas trabalharam juntos, mas também compartilharam momentos de lazer, fortalecendo laços interculturais. Essa experiência, segundo ele, representa um modelo de cooperação internacional e uma via de pesquisa científica sem fronteiras.
Um ponto destacado foi a utilização, pela primeira vez por uma equipe brasileira, do quebra-gelo russo Akademik Tryoshnikov. Essa embarcação não é apenas um navio adaptado para romper gelo; é um verdadeiro laboratório flutuante, equipado com sete laboratórios e estruturas que permitem a coleta de diversas espécies marinhas. O quebra-gelo possibilitou que a equipe se aproximasse das imensas geleiras com até 50 metros de altura, um feito crucial para as pesquisas realizadas.
O contexto dessa expedição se conecta ainda a necessidades diplomáticas, uma vez que a presença do Brasil na Antártica é fundamental para a manutenção do seu direito de voto no Sistema do Tratado da Antártica, o que influencia diretamente as decisões sobre a região. Simões ressaltou a relevância do conhecimento produzido, uma vez que as regiões polares desempenham papel crucial na regulação climática global.
Ao concluir essa jornada, Simões se despediu da Antártica com a sensação de missão cumprida e deixou uma mensagem sobre a importância contínua das pesquisas no continente, comparando seu valor com o da Amazônia para o equilíbrio climático do planeta. Ele expressou que esta expedição pode ter sido sua última, após mais de três décadas dedicadas ao estudo daquela região extrema e fascinante.





