Cibersegurança e IA: Banco Central e Tesouro dos EUA alertam sobre riscos no setor financeiro em contexto de recordes de fraudes e vulnerabilidades.

A crescente preocupação com as ameaças cibernéticas e a adoção de Inteligência Artificial (IA) no setor financeiro não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, a situação tem gerado alarmes significativos nas esferas do governo e do setor bancário. Recentemente, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, convocaram uma reunião emergencial com líderes de Wall Street. O objetivo? Discutir os riscos associados a um novo modelo de IA, denominado Mythos, desenvolvido pela empresa Anthropic. Este sistema é capaz de identificar e explorar vulnerabilidades em sistemas operacionais e navegadores, o que representa uma preocupação substancial para a segurança digital das instituições financeiras.

O encontro ocorreu na sede do Tesouro em Washington e trouxe a tona a necessidade urgente de que os bancos estejam cientes dos perigos que o uso de tal tecnologia pode acarretar. Fontes anônimas, devido à natureza privada das discussões, revelaram que a intenção foi garantir que as instituições financeiras adotem medidas de proteção efetivas, assegurando a integridade de seus sistemas diante das novas ameaças.

Enquanto isso, no Brasil, o Banco Central (BC) demonstra um posicionamento igualmente vigilante em relação ao uso crescente da IA no Sistema Financeiro Nacional. Durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira de novembro de 2025, Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do BC, ressaltou preocupações fundamentais, incluindo a questão da “caixa-preta” que caracteriza muitos modelos de IA. Esse termo refere-se à dificuldade em compreender como determinados resultados são gerados por esses sistemas, o que pode levar a vieses indesejáveis e a efeitos de governança duvidosos.

Além disso, o BC já manifestou sua intenção de regulamentar aspectos relacionados à IA e à computação quântica, especialmente no que tange à segurança de dados e prevenção de fraudes. Essa iniciativa é ainda mais pertinente em um contexto em que o cibercrime alcançou níveis alarmantes. Em 2025, o FBI registrou mais de 1 milhão de queixas relacionadas a fraudes, resultando em perdas financeiras que ultrapassaram a marca de 20 bilhões de dólares, uma elevação significativa em relação ao ano anterior. O Brasil, nesse cenário, figura entre os 20 países com mais registros de incidentes, o que destaca a urgência de uma resposta robusta e coordenada tanto das autoridades quanto das instituições financeiras para enfrentar esses desafios.

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