Cibercrime no Brasil: PCC Retira 40% do Faturamento com Atividades Digitais e Prejudica Economia em R$ 2,3 Trilhões

O Primeiro Comando da Capital (PCC), reconhecida como a principal organização criminosa do Brasil, está cada vez mais voltada para o mundo digital: segundo Fábio Diniz, presidente do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC), a facção já obtém 40% de seu faturamento através de crimes digitais. Este dado alarmante foi apresentado durante o “Encontro de Prevenção a Fraudes” realizado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras em São Paulo.

Diniz também divulgou resultados de um estudo encomendado pelo Governo Federal, que revelam consequências severas do cibercrime. Até 2024, estima-se que esse tipo de crime custará ao Brasil aproximadamente R$ 2,3 trilhões, equivalente a 18% do PIB potencial do país, além de resultar na destruição de 2,5 milhões de empregos e na perda de R$ 839 bilhões em salários. Esses números evidenciam a urgência de um investimento em uma Agência Nacional de Cibersegurança, que custaria apenas R$ 600 milhões anuais — uma fração do prejuízo causado pelos crimes digitais.

O fenômeno do aumento dos crimes cibernéticos pode ser explicado pela teoria econômica do crime formulada pelo economista americano Gary Becker, que sugere que a prática criminosa ocorre quando os benefícios superam os riscos. Desde 2018, enquanto os crimes tradicionais diminuíram em 51%, os crimes digitais explodiram em 408%. Entre as perguntas que os criminosos se fazem antes de agir no ambiente digital, a maioria das respostas leva à conclusão de que a probabilidade de punição é baixa.

Diniz observou ainda a crescente convergência estratégica entre facções criminosas, como PCC e Comando Vermelho, que, apesar de serem rivais, colaboram no cibercrime, compartilhando recursos e conhecimentos técnicos.

Além disso, a discussão incluiu preocupações sobre os “laranjas”, contas bancárias alugadas por criminosos para ocultar dinheiro ilícito. Adriano Volpini, do Itaú Unibanco, fez uma analogia com a legislação que regula o uso de cheques, defendendo que, assim como aqueles que emitem cheques sem fundo enfrentam restrições, as pessoas que alugam contas para atividades ilegais deveriam sofrer consequências similares.

O consenso entre os painelistas foi a necessidade de uma punição mais rigorosa. Leandro Vilain, CEO da Associação Brasileira de Bancos, criticou a tendência do judiciário em tratar crimes financeiros como de “menor gravidade”. Para ele, o tratamento dado a quem aluga contas bancárias para o crime deve ser equiparado ao de outros crimes graves, e a impunidade não pode continuar a ser um obstáculo no combate ao cibercrime. A urgência de regulamentação e supervisão adequadas se manifesta em um cenário onde o crime digital não é mais apenas uma extensão de atividades ilícitas, mas uma indústria complexa e estruturada que precisa ser enfrentada com seriedade.

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