Soraya relatou que, embora a quantidade de água tenha sido surpreendente, a verdadeira adversidade residiu em como a região se tornou um canal de escoamento após intervenções realizadas ao longo dos anos. “A água não desceu simplesmente do lado de fora; houve um acúmulo em um bolsão superior, e agora a nossa casa virou uma rota de fuga para a água que vem de Taguatinga. Ela desce com força impressionante”, explicou, evidenciando a gravidade da situação.
Esse não foi um acontecimento isolado; em 2020, após a construção de bolsões de contenção, a comunidade já havia enfrentado um episódio igualmente devastador. “A estrutura é constantemente reparada, mas parece que nunca é suficiente. As intervenções se mostram ineficazes em resolver o problema”, lamentou Soraya.
Naquele dia fatídico, a moradora não estava em casa e, ao ser informada por uma vizinha sobre os estragos, rapidamente tentou voltar, mas se deparou com a rua completamente alagada. O carro da família foi levado pela correnteza, resultando em danos significativos e uma sensação de impotência diante da força da natureza. “Temos a sensação de que nada irá mudar até que uma tragédia real aconteça”, desabafou.
Ricardo Diniz, síndico do condomínio, descreveu o momento como aterrador. Ele relatou que a água vinda de casas mais altas rompeu a contenção existente, causando um efeito semelhante a um tsunami. “A piscina de contenção do Taguaparque não suportou o volume de água que desceu, gerando um cenário de desespero”, afirmou.
Ele também expressou apreensão, destacando a ausência de apoio e respostas do Governo do Distrito Federal diante da situação crítica enfrentada. “A pavimentação e a estrutura do local estão severamente danificadas, mas não conseguimos discernir a responsabilidade entre o condomínio e o poder público”, ressaltou.
Em resposta ao caos, o administrador de Vicente Pires, Anchieta de Sousa Coimbra, informou que as equipes estão trabalhando na remoção de detritos e na recuperação do asfalto. Ele afirmou que a Defesa Civil e a Secretaria de Assistência Social foram acionadas para auxiliar as famílias impactadas. Segundo ele, as condições climáticas foram extremas, com um volume de 380 milímetros de chuva, evidenciando a inadequação da infraestrutura atual para suportar tais eventos.
Coimbra ainda mencionou que estudos estão em andamento para aprimorar os sistemas de drenagem e que, após o período chuvoso, pretende-se implementar um sistema definitivo para mitigar os efeitos das chuvas futuras. A esperança, mesmo em meio ao desespero, é que medidas sejam tomadas para evitar novas tragédias e garantir a segurança dos moradores da região.
