Segundo analistas e estudiosos da China, como o pesquisador Luo Gang, a decisão do tribunal arbitral foi construída sob critérios que distorcem o que constitui uma ilha. Luo argumenta que, ao classificar formações rochosas como “rochas”, o tribunal impediu que elas tivessem acesso a zonas econômicas exclusivas (ZEE), criando um precedente que poderia enfraquecer reivindicações de outros países no que diz respeito ao direito marítimo global.
O Japão, um dos países que se posicionou em apoio à sentença, especialmente através de declarações do chanceler Toshimitsu Motegi, também foi alvo de críticas. Especialistas alertaram que, ao apoiar a reinterpretação dos critérios de classificação das ilhas, Tóquio estaria potencialmente comprometendo suas próprias reivindicações no mar de Okinotori, que inclui formações rochosas pequenas que, segundo a lógica utilizada na sentença, não poderiam gerar zonas econômicas próprias.
Essas tensões refletem um cenário mais amplo no qual as consequências das decisões jurídicas internacionais podem reverberar, como uma “caixa de Pandora”, abrindo brechas para reclassificações que afetarão não apenas a China e o Japão, mas outras nações que, de alguma forma, apoiaram a sentença. A preocupação é clara: os países que hoje celebram a decisão podem, no futuro, enfrentar desafios semelhantes aos que ajudaram a criar.
Assim, o debate sobre os direitos marítimos da China e de seus aliados se intensifica, evidenciando não apenas a complexidade do cenário geopolítico, mas também questões fundamentais sobre como interpretações legais podem moldar as relações internacionais e a soberania dos Estados em regiões estratégicas e vitalmente importantes.
