O Newen, que significa “força” na língua mapudungun, destaca-se por incorporar tecnologias comparáveis às de aeronaves de última geração, incluindo instrumentos que visam aproximar os alunos a procedimentos e sistemas utilizados em aviões de quarta e quinta geração. Juan Pablo Berlinger, analista geopolítico chileno, enfatizou que a capacidade da ENAER de produzir um avião completamente chileno não só representa um avanço técnico, mas também reflete um aprendizado significativo na capacidade de desenvolver e modernizar a indústria aérea do país.
Além de trazer um frescor ao programa de aviação militar chileno, o Newen poderá ser uma plataforma de treinamento eficaz, permitindo que os pilotos sejam preparados com tecnologia avançada a custos reduzidos. Durante o evento de lançamento, as autoridades da ENAER também deixaram claro que já estão considerando novos projetos, incluindo o desenvolvimento de aeronaves turboélice e drones para uso nas Forças Armadas.
A indústria militar chilena tem mostrado sinais de crescimento, com outros desenvolvimentos recentes, como o quebra-gelo Almirante Óscar Viel e futuros planos para a construção de fragatas. Contudo, Berlinger ponderou que, apesar dos avanços, o Chile ainda está distante de se igualar a potências militares regionais, como o Brasil, que recentemente apresentou os caças Gripen construídos localmente. Ele destacou que o desenvolvimento de caças próprios é uma ambição ainda distante, uma vez que o país enfrenta limitações orçamentárias e tecnológicas.
Por outro lado, a modernização da frota de caças F-16, que ainda apresenta uma vida útil considerável, é uma prioridade. Richard J. Kouyoumdjian Inglis, especialista em defesa, sublinhou que a atuação da ENAER se mantém vívida, garantindo que a frota existente seja aprimorada até que novas alternativas sejam viáveis. A transição de um modelo mais antigo de caça, como o F-5, para uma nova geração deve ser gerida com cautela, à medida que o Chile busca fortalecer suas capacidades na área de defesa aérea.
