Chikungunya: aumento de casos na Europa alerta para riscos com aquecimento global e proliferação do mosquito transmissor Aedes albopictus. Surtos podem se tornar frequentes.

Chikungunya: O Aumento de Casos e o Impacto do Aquecimento Global na Europa

Os casos de chikungunya, uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes albopictus, estão subindo de modo alarmante em diversas partes do mundo, com a Europa a experimentar um aumento significativo das infecções. Um novo estudo revela que a região pode ser afetada em uma escala muito maior do que se imaginava devido ao aquecimento global. A pesquisa sugere que, com o aumento das temperaturas, a transmissão da doença pode ocorrer durante mais de seis meses em áreas mais ao sul do continente, como Espanha e Grécia, e que a janela de transmissão já atinge dois meses em regiões mais ao norte, como o sudeste da Inglaterra.

Esse fenômeno está intimamente ligado a um novo entendimento sobre a capacidade do vírus de sobreviver em temperaturas mais baixas do que se acreditava anteriormente. Pesquisadores descobriram que o Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre-asiático, pode efetuar a transmissão do vírus da chikungunya a temperaturas tão baixas quanto 13 °C a 14 °C. Essa descoberta levanta preocupações sobre a expansão da doença para o norte, onde invernos frios tradicionalmente limitavam a atividade dos mosquitos.

Desde a sua introdução na Europa, a partir de 2007, o mosquito-tigre se espalhou rapidamente, provocando surtos de chikungunya e dengue em diversos países. A atividade contínua dos mosquitos ao longo do ano, especialmente nas regiões mediterrâneas, sugere um cenário onde surto após surto pode se tornar a norma. Os dados disponíveis indicam que as infecções transmitidas pelo Aedes albopictus na Europa têm crescido a taxas anuais de cerca de 25%.

Os pesquisadores do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH) enfatizam que, embora a situação se apresente preocupante, é possível conter a disseminação do vírus. Medidas preventivas, como campanhas de conscientização e a implementação de sistemas de monitoramento, podem ajudar significativamente a controlar a situação.

Historicamente, a chikungunya é conhecida por causar dores articulares intensas que, em alguns casos, podem persistir por anos. Desde sua descoberta na Tanzânia em 1952, a doença esporadicamente emergiu em surtos globais. Os maiores picos ocorreram recentemente, com milhares de casos confirmados em diversos países, incluindo o Brasil, onde a infecção tem gerado consequências devastadoras.

Com a previsão de uma nova era de surtos cada vez mais frequentes e intensos, é essencial que as autoridades e a população em geral se preparem e adotem estratégias eficazes para mitigar os riscos. A vacinação é uma opção que está sendo consideravelmente estudada, mas enquanto isso, a prevenção através da eliminação de focos de reprodução do mosquito e do uso de repelentes permanece a melhor defesa contra essa ameaça crescente.

Sair da versão mobile