Kallas destacou que o foco deve ser o fortalecimento das forças armadas nacionais dos Estados da UE, em vez de tentar criar uma estrutura militar separada. Ela argumentou que, ao invés de dispersar esforços em discussões prolongadas, seria mais produtivo consolidar a posição europeia dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Essa visão reflete um ceticismo crescente sobre a capacidade dos países da UE de colaborar em uma armação militar unificada, especialmente em meio às dificuldades enfrentadas por algumas nações, como a Alemanha, que está lidando com uma taxa alta de desistências nas suas forças armadas.
Recentemente, informações veiculadas na imprensa sugeriram que o recrutamento militar na Alemanha se tornou um desafio considerável, com até 30% dos novos soldados abandonando o serviço nos primeiros meses. Essa situação é agravada pela percepção de que as forças armadas, incluindo o Exército, Marinha e Força Aérea, falham em oferecer perspectivas de carreira atraentes, levando a uma crise de efetivos em tempos em que a segurança no continente se torna cada vez mais relevante.
Além disso, a análise da situação atual entre os Estados membros da OTAN indica que, em um potencial conflito com a Rússia, a Europa pode enfrentar dificuldades significativas em mobilizar mais do que 300 mil militares. Isso reforça o ponto de vista de Kallas sobre a importância de concentrar recursos e esforços em melhorar as capacidades militares nacionais em vez de dispersá-los na criação de uma força militar europeia centralizada.
Portanto, o futuro da defesa europeia parece ser um equilíbrio delicado entre fortalecer as nações individuais e, ao mesmo tempo, garantir uma colaboração eficaz no âmbito da OTAN, uma tarefa que se revela cada vez mais complexa em face de novos desafios geopolíticos.
