Durante uma entrevista à rádio oficial Voz da Palestina, Shahin expressou sua preocupação com a postura de Netanyahu, afirmando que o premiê “não deseja alcançar um acordo” e que sua estratégia parece ser a de manter os palestinos em uma situação de incerteza. A chanceler também destacou a escalada da violência perpetrada por colonos israelenses na Cisjordânia, mencionando que os ataques se tornaram mais organizados e armados, o que, segundo ela, compromete a população palestina e as chances de uma solução de dois Estados.
As declarações de Shahin se seguiram a uma reunião do gabinete israelense, onde Netanyahu confirmou a rejeição ao plano de 15 pontos elaborado pela “Junta de Paz”, entidade que inclui os Estados Unidos. O primeiro-ministro foi enfático ao afirmar que Israel não irá retirar suas forças da Faixa de Gaza enquanto o Hamas não entregar completamente suas armas, referindo-se a todos os tipos de armamentos.
O plano, que foi apresentado em maio por Nickolay Mladenov, representante da Junta de Paz, havia sido promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no final de julho. Trump anunciou que um acordo havia sido alcançado para o “desarmamento completo” do Hamas, além de outras facções armadas que atuam na região. Após a rejeição de Netanyahu, o Hamas respondeu reafirmando seu compromisso com o acordo, embora tenha condicionado qualquer discussão sobre desarmamento a uma interrupção dos ataques israelenses e à retirada das forças do país da Faixa de Gaza.
Apesar de um cessar-fogo ter sido declarado em outubro de 2025, a realidade no terreno indica que a violência persiste: ataques israelenses resultaram na morte de mais de 1.250 pessoas em Gaza e deixaram mais de 4.100 feridos, segundo dados de autoridades locais. Esses eventos destacam a complexidade e a fragilidade da situação, evidenciando que negociações efetivas para a paz continuam sendo um desafio.




