Chacina no DF: julgamento de cinco réus pela morte de dez familiares entra em segundo dia de depoimentos no Tribunal do Júri de Planaltina.

Na manhã desta terça-feira, o Tribunal do Júri em Planaltina reabriu os seus trabalhos para dar seguimento ao julgamento dos cinco réus envolvidos em um dos casos mais chocantes da história do Distrito Federal: a chacina que resultou na morte de dez membros de uma mesma família. As audiências, que começaram na segunda-feira, se estenderam até o fim do dia, abrangendo o testemunho de seis pessoas, incluindo membros da família e policiais que investigaram o caso.

A expectativa para os próximos dias é alta, com mais 16 testemunhas previstas para depor, incluindo tanto parentes das vítimas quanto policiais que atuaram na elucidação dos crimes. A previsão é que o colegiado se estenda até o dia 19 de abril, conforme informado pelo Ministério Público.

No primeiro dia de julgamentos, detalhes perturbadores surgiram durante os depoimentos. Investigadores de polícia relataram que três crianças foram queimadas vivas, um aspecto que evidenciou a crueldade dos atos cometidos pelos réus. Além disso, foi revelado que após os assassinatos iniciais, os acusados utilizaram os celulares das vítimas para se comunicar com amigos e familiares, a fim de desviar a atenção e encobrir seus crimes.

Os acusados sentados no banco dos réus incluem Gideon Batista de Menezes, considerado um dos principais arquitetos do plano, e Horácio Carlos Ferreira Barbosa, que participou ativamente das execuções. Outro réu, Carlomam dos Santos Nogueira, também fez parte dos sequestros, enquanto Fabrício Silva Canhedo foi responsável pela vigilância do cativeiro. Carlos Henrique Alves da Silva, por sua vez, teve um papel crucial na rendição das vítimas.

Todos os cinco réus foram conduzidos ao tribunal sob a proteção da Polícia Penal, sendo que, apesar de estarem próximos, não têm permissão para se comunicar durante as sessões. Se condenados, eles poderão enfrentar penas que somam até 358 anos de prisão, sendo acusados de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, entre outras infrações graves.

O caso começou a se desenrolar entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, quando os acusados planejaram tomar uma chácara pertencente à família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano original incluía assassinatos e sequestros para extorquir dinheiro da família. O resultado foi uma série de mortes brutais e manipulações enganosas que culminaram na tragédia que abalou a comunidade.

Durante o primeiro dia de audiência, a mãe de uma das vítimas, Elizamar, expressou sua dor e esperança de que a justiça prevaleça. O impacto emocional e o clamor por justiça marcam este processo, que é um reflexo das profundas questões sociais e de segurança enfrentadas pela sociedade.

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