Cesta básica registra alta em todas as capitais; São Paulo se destaca com custo de R$ 883,94 e feijão tem aumento impactante devido às chuvas.

As cidades brasileiras enfrentam um aumento generalizado nos preços dos alimentos da cesta básica, conforme revela um levantamento que abrange todas as 27 capitais do país. O estudo mostra que São Paulo apresenta o maior custo, alcançando o valor de R$ 883,94, enquanto Aracaju surge como a capital com a cesta mais acessível, custando em média R$ 598,45.

Dentre os alimentos que mais impactaram no aumento, destacam-se o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite. Os três primeiros itens são particularmente afetados pelas adversidades climáticas, como as chuvas significativas que impactaram as áreas de produção. Em contrapartida, o açúcar teve uma diminuição em seu custo médio em 19 capitais, resultado do excesso de oferta, o que representa uma exceção diante do cenário inflacionário geral.

As regiões que mais sentiram a alta dos preços foram Manaus, Salvador, Recife, Maceió, Belo Horizonte, Aracaju, Natal, Cuiabá, João Pessoa e Fortaleza, com variações que vão de 5% a mais de 7%. Cidades como Rio de Janeiro, Cuiabá e Florianópolis também registraram valores bem elevados na cesta básica, todos situados acima de R$ 800.

Ainda de acordo com os dados, com o salário mínimo fixado em R$ 1.621,00, um trabalhador precisaria dedicar cerca de 109 horas para conseguir arcar com o custo da cesta básica. Essa jornada de trabalho, embora elevada, apresentou alguma redução em relação à renda do ano anterior. Neste contexto, os trabalhadores comprometem, em média, 48,12% dos seus salários para adquirir os produtos essenciais.

O estudo também revela uma trajetória de aumento dos custos em comparação ao ano anterior, com 13 cidades registrando elevações e quatro registrando quedas. A variação nos preços do feijão, por exemplo, é atribuída a uma oferta restrita, resultado de dificuldades climáticas e uma diminuição na área plantada. Enquanto o feijão carioca tem sido menos rentável, o feijão preto, com uma demanda maior no mercado, apresenta preços mais altos.

No que se refere ao salário mínimo ideal, o levantamento aponta que para uma família de quatro pessoas, considerando a cesta básica mais cara, o valor necessário em março seria de R$ 7.425,99, quase cinco vezes o salário mínimo atual. Isso demonstra a crescente disparidade entre o custo de vida e os rendimentos dos trabalhadores, evidenciando a necessidade de políticas públicas que reajustem não apenas os salários, mas também as condições econômicas que afetam a população.

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