As preocupações surgiram devido ao temor de que os houthis do Iêmen retomem os ataques a navios comerciais no mar Vermelho, após terem declarado uma pausa nos ataques em meio ao acordo de cessar-fogo em Gaza. Jan Rindbo, CEO do grupo de transporte marítimo Norden, em entrevista ao Financial Times (FT), expressou que o plano de Trump aumentou a tensão no Oriente Médio e o risco de ações por parte dos houthis.
O anúncio do plano de Trump para Gaza gerou incertezas no comércio e na indústria de transporte marítimo, que já estava sofrendo com as ameaças tarifárias do ex-presidente a parceiros comerciais. Essas medidas reacenderam os temores de guerras comerciais e de um possível declínio econômico global.
Em janeiro, o trânsito pelo estreito de Bab-el-Mandeb registrou um aumento de 4% após a declaração dos houthis de suspender os ataques a navios, com exceção daqueles ligados a Israel. Um transportador de gás natural liquefeito (GNL) de Omã já se prepara para transportar a primeira carga de gás não russa pelo mar Vermelho em mais de um ano, com destino à Turquia em fevereiro.
No entanto, a analista de risco marítimo Bridget Diakun observou que, apesar de alguns navios estarem retornando, outros ainda aguardam por mais estabilidade na região. Como parte de sua apuração, ela destacou que os armadores estão se preparando para uma possível escalada nas tensões e um possível recuo dos houthis em sua promessa de limitar os ataques.
Dessa forma, a expectativa dos empresários é de um retorno à normalidade na navegação da região após mais de um ano de interrupções, que aumentaram os custos de transporte e obrigaram os navios a seguir rotas mais longas contornando a África. A empresa de transporte de carga marítima Maersk estima que o comércio pelo mar Vermelho possa ser restabelecido apenas em meados de 2025 ou permanecer restrito até o final do ano, após os ataques dos houthis terem forçado a empresa a redirecionar suas remessas em dezembro de 2023.
Diante desse cenário de incertezas e instabilidade, os armadores e empresários do setor aguardam por um desfecho favorável que permita o retorno seguro e regular das atividades de transporte marítimo na região do mar Vermelho.





