Entretanto, esses avanços não são homogêneos em todo o território nacional. Apesar de 70% dos órgãos federais e 58% dos estaduais já utilizarem IA, apenas 27% das prefeituras relataram ter implementado a tecnologia nos últimos 12 meses, evidenciando uma disparidade no uso entre esferas governamentais. Nas capitais, essa taxa sobe para 54%, o que sugere que o porte da administração impacta diretamente na capacidade de adoção de inovações tecnológicas.
Um fator limitante na implementação da IA, especialmente em prefeituras menores, é a escassez de infraestrutura tecnológica e de pessoal capacitado. A pesquisa aponta que, nas prefeituras, 40% mencionaram falta de treinamento adequado para seus servidores. Além disso, 51% das prefeituras em todo o Brasil não possuem uma área específica dedicada à tecnologia da informação, uma realidade que é mais acentuada em municípios pequenos.
Outros desafios incluem preocupações com a segurança de dados e questões éticas. Embora uma minoria dos órgãos tenha expressado preocupações sobre privacidade—15% nos casos federais e 27% nas prefeituras—, esse tema é considerado crucial, especialmente em tarefas que envolvem o trato com informações sensíveis dos cidadãos.
Num contexto mais amplo, o professor Filipe Medon, especialista em direito e coordenador adjunto do AI Hub da Fundação Getulio Vargas, enfatiza que a dependência de soluções estrangeiras pode não ser uma ameaça à soberania digital brasileira, desde que o Estado mantenha liberdade nas suas escolhas tecnológicas. A autonomia é essencial para evitar uma dependência excessiva de um único fornecedor, e por isso, é necessário investir em capacidade tecnológica local, como as nuvens soberanas previstas no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.
A busca por formas de fortalecer a soberania digital e garantir que os dados sensíveis estejam protegidos sob controle nacional é um desafio que o Brasil deve enfrentar, buscando assim um futuro mais integrado e seguro na era da informação.
