Cerca de 15% dos adolescentes faltam à escola por falta de absorção, revela nova pesquisa do IBGE sobre saúde mental e educação entre jovens.

A quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), coordenada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trouxe à luz dados preocupantes sobre a realidade educacional de adolescentes no Brasil. O estudo revelou que, ao longo de 2024, cerca de 15% dos jovens entre 13 e 17 anos faltaram à escola em algum momento por dificuldades em absorver o conteúdo apresentado em sala. Essa informação, que foi divulgada na última quarta-feira, sublinha um problema persistente que afeta a frequência escolar de muitos alunos.

A pesquisa, que abrange estudantes de escolas públicas e privadas do 7º ano do ensino fundamental ao 3º do ensino médio, apresenta uma amostra representativa de todo o país. Desde 2009, o levantamento tem sido realizado em parceria com o Ministério da Saúde e conta com o auxílio do Ministério da Educação (MEC). Além das questões relacionadas à frequência escolar, a pesquisa investiga uma variedade de fatores que impactam a saúde dos adolescentes, incluindo hábitos alimentares, exercícios físicos, uso de substâncias, saúde mental e ambientes de violência.

Os dados também revelam disparidades significativas entre as redes de ensino. Na rede pública, por exemplo, 16,9% das meninas justificaram a falta às aulas por dificuldades na absorção, enquanto na rede privada essa porcentagem foi bem inferior, de apenas 6,4%. Além disso, o levantamento destaca variações regionais relevantes, como no estado do Amazonas, onde 27,9% dos jovens relataram ter abandonado a escola por esse motivo.

A situação reforça a importância de políticas públicas voltadas à saúde e ao bem-estar dos estudantes. Em 2022, foi implementado o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, que visa garantir a distribuição gratuita de absorventes para estudantes do ensino fundamental e médio, especialmente aquelas em situações de vulnerabilidade. Embora 84,3% dos alunos afirmem que suas escolas oferecem esse recurso, a distribuição é desigual. No Norte do país, apenas 56,2% das alunas têm acesso, enquanto em Roraima o número é ainda menor, chegando a 38,5%. Por outro lado, no Sudeste, essa taxa sobe para 91,7%.

Além da frequência escolar, o estudo também aponta para questões de saúde mental entre os adolescentes. As meninas, em particular, se mostram mais suscetíveis a problemas emocionais: elas relatam o dobro de experiências de tristeza frequente, desejos de autoagressão e sentimentos de desvalia em relação à vida quando comparadas aos meninos. A pesquisa indica que as adolescentes se sentem mais tristes, ansiosas e desamparadas, enfatizando a necessidade urgente de apoio emocional e psicológico nesse grupo etário.

Esses dados evidenciam a urgência de uma revisão e ampliação das políticas educacionais e de saúde, com vistas a criar um ambiente escolar mais inclusivo e acolhedor para todos os alunos.

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