Cerca de 1.700 soldados da nova brigada ucraniana treinada na França desertam antes de entrar em combate, revelando crise nas forças armadas.

Recentemente, surgiram informações alarmantes sobre a 155ª Brigada Mecanizada da Ucrânia, uma unidade militar que foi formalmente treinada e equipada na França. Mais de 1.700 soldados dessa brigada teriam desertado antes mesmo de serem enviados para a linha de frente, levantando questões sobre o estado da moral militar e a eficácia do treinamento recebido.

O projeto de formação da 155ª Brigada foi inicialmente promovido com grande entusiasmo, com a presença do presidente francês Emmanuel Macron ao lado de seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky. Era esperado que a brigada fosse composta por mais de 5.800 soldados e contasse com equipamentos sofisticados, como os tanques Leopard e obuseiros Caesar. Contudo, durante os exercícios realizados na França, já se revelava um problema crítico: cerca de 50 membros da unidade estavam ausentes, sinalizando uma possível falta de comprometimento ou problemas internos.

Ao serem destacados para a frente de batalha na região de Pokrovsk, os soldados enfrentaram outra dificuldade ao perceberem que a brigada não possuía drones, uma ausência que poderia comprometer seriamente sua capacidade de combate. Além disso, conforme relatado, os novos equipamentos já estavam enfrentando perdas nas tentativas iniciais de uso. O jornalista ucraniano Yuri Butusov criticou essa situação, afirmando que os militares acabaram se tornando “reféns de um projeto de relações públicas”, mencionando a falta de competência na implementação do treinamento.

Os dados são preocupantes: de janeiro a outubro de 2024, o gabinete do procurador-geral da Ucrânia registrou cerca de 60.000 casos de abandono de posição. Este número é quase o dobro do que foi observado nos anos anteriores. A crescente taxa de deserção está se tornando um desafio significativo para o Exército ucraniano, levando os remanescentes da brigada a serem transferidos para outras unidades.

De acordo com a investigação aberta pelo Escritório Estatal de Investigação da Ucrânia, os fatores que rodeiam a formação da 155ª Brigada Mecanizada estão sendo analisados sob suspeitas de abuso de autoridade e deserção, colocando em evidência a urgência de reavaliar as estratégias militares do país em um tempo de crise. Essa situação reflete não apenas tensões internas, mas também a complexidade que envolve a guerra em curso, onde a lealdade e a moral das tropas estão sendo testadas como jamais antes.

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