Centro Cultural Pretos Novos Inaugura Exposição de Geleia da Rocinha em Homenagem a Escravizados e Celebra Memória Negra em Recife

O Centro Cultural Pretos Novos, localizado na Gamboa, Rio de Janeiro, será inaugurado nesta quarta-feira, às 17h, com uma emocionante exposição do artista plástico Geleia da Rocinha, que apresenta uma releitura de oito retratos de africanos escravizados. Esses retratos foram originalmente capturados em 1869 pelo fotógrafo alemão Alberto Henschel em Recife. A data da inauguração carrega um significado profundo: celebra os 21 anos de atuação do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN) e marca os 138 anos da assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil.

O novo espaço cultural, que ocupa um sobrado de dois andares na Rua do Livramento, oferece uma galeria de arte de 160 m² no andar inferior, dedicada prioritariamente a artistas negros e periféricos. Esse ambiente será também um ponto de encontro para saraus e clubes de leitura. No andar superior, com 200 m², salas de aula serão disponibilizadas para cursos focados na história e cultura negra, além de um auditório, um estúdio de podcast e um espaço para palestras.

Esse centro é uma extensão do Museu Memorial do Instituto Pretos Novos, que já oferecia palestras e cursos, mas agora se expande para atender um público maior. O antigo local na Rua Pedro Ernesto continuará a abrigar atividades de curadoria arqueológica e acadêmica. Merced Guimarães, presidente do IPN, expressou sua satisfação com a ampliação do memorial, enfatizando que quem visita um espaço será incentivado a visitar o outro, promovendo um intercâmbio cultural significativo.

O novo prédio, obtido por meio de comodato, passou por reformas viabilizadas com doações. Merced ainda espera consolidar parcerias para adequações futuras. Geleia da Rocinha, artista autodidata, tem um percurso profissional notável, com obras expostas internacionalmente. Sua relação com o IPN é histórica, sendo um dos primeiros a expor no local.

A exposição “Memória à Flor da Tela”, com curadoria de Marco Antonio Teobaldo, apresenta obras em acrílica sobre MDF, onde Geleia retrata figuras divinas adornadas por símbolos do Candomblé. Esse projeto busca dignificar os africanos escravizados, colocando seus relatos em um contexto sagrado, essencial para reconstruir a memória coletiva. Assim, o Centro Cultural Pretos Novos se consolida como um importante polo de valorização da cultura negra e da história dos povos afro-brasileiros. A mostra permanecerá em cartaz por três meses, com entrada gratuita das 10h às 18h.

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