Amorim começou sua intervenção ao se alinhar com as preocupações levantadas por representantes africanos, manifestando solidariedade em relação à situação da África do Sul. O diplomata lamentou a intromissão em assuntos internos e a busca pela divisão de uma nação que é vista como um exemplo de unidade e diálogo. Retomando a linha de pensamento do Papa Paulo VI, ele reinterpretou a ideia de que “desenvolvimento é o novo nome da paz” para os dias atuais, sugerindo que, em tempos de turbulência, “a paz é o novo nome do desenvolvimento”.
Em suas declarações, Amorim apontou que conflitos, violações ao Estado de direito e ameaças de uma guerra em larga escala minam quaisquer esforços para progresso social e econômico. Ele mencionou as consequências globais, como a inflação e os aumentos nos preços de combustíveis e fertilizantes, que sobrecarregam os países mais vulneráveis, especialmente os situados no Sul Global.
O assessor também manifestou preocupação com a crescente tensão no Oriente Médio, condenando o uso da força contra o Irã e lembrando das crianças na Gaza e das aspirações dos palestinos. Segundo ele, o assassinato de civis no sul do Líbano é um episódio especialmente “lamentável”.
Amorim criticou a utilização de força por potências estrangeiras na América do Sul, especialmente em relação à Venezuela, e denunciou políticas coercitivas que, após anos de bloqueio, ameaçam a vida da população local. O combate ao crime organizado também foi tema de sua fala. Ele ressaltou as iniciativas do governo brasileiro para desmantelar redes criminosas em colaboração com outros países da região, reconhecendo a complexidade do cenário e a necessidade de combate diferenciado entre crime organizado e terrorismo.
Além disso, o embaixador frisou que o Brasil está modernizando sua política de defesa, incluindo a segurança digital, e reforçou a relevância da cooperação internacional para enfrentar as novas ameaças cibernéticas. Um exemplo dessa cooperação é o “Entendimentos Comuns”, assinado com representantes chineses em 2024, visando formar um grupo de amigos da paz.
Amorim finalizou sua apresentação reafirmando que o Brasil se compromete a manter relações pacíficas com seus vizinhos e a promover um mundo multipolar. Para ele, essa multipolaridade deve ser edificada sobre os princípios de soberania e desenvolvimento sustentáveis, refletindo os ideais que norteiam iniciativas como o BRICS.
Assim, o assessor especial se apresentou no Fórum não apenas como um diplomata, mas como um defensor de uma ordem global que valoriza o diálogo e a cooperação, em oposição a abordagens unilaterais que ameaçam a paz e a união entre as nações.
