Celso Amorim defende cooperação internacional e critica equiparação entre crime organizado e terrorismo em Fórum de Segurança em Moscou

No contexto do I Fórum Internacional de Segurança, realizado em Moscou, Celso Amorim, ex-ministro da Defesa do Brasil, defendeu uma abordagem estratégica e cuidadosa no combate ao crime organizado. Durante sua participação, Amorim enfatizou que classificar facções criminosas como terroristas não contribui para uma solução eficaz. Ele sublinhou a importância de adotar uma postura enérgica contra o crime, mas sem perder de vista a necessidade de entender as motivações que levam à criminalidade.

A conferência, denominada “Desafios e ameaças à segurança internacional nas condições de formação de uma ordem mundial multipolar”, reuniu representantes de mais de cem países e várias organizações internacionais. Amorim, que atualmente atua como assessor-chefe na presidência do Brasil, destacou que as intervenções externas, como a dos Estados Unidos na Venezuela, elevaram preocupações sobre a soberania das nações latino-americanas.

Em seu discurso, o ex-chanceler brasileiro reforçou a ideia de que sem segurança não há desenvolvimento, relembrando a famosa frase de Paulo VI: “a paz é o novo nome do desenvolvimento”. Ele expressou sua preocupação com a escalada de conflitos no Oriente Médio, mencionando o impacto humanitário e econômico que esses eventos causam, especialmente para populações vulneráveis, como as crianças em Gaza.

O evento foi mediado por Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, que alertou sobre a ineficácia de instituições internacionais, como a Organização Mundial do Comércio, em responder a sanções unilaterais impostas ao país. Shoigu enfatizou que uma auditoria nas instituições internacionais é necessária para preservar a integridade do sistema jurídico global.

Amorim também aproveitou a oportunidade para promover a cooperação internacional, discutindo a importância de fortalecer laços comerciais e tecnológicos. Ele manteve encontros bilaterais com diversas autoridades, incluindo o ministro das Relações Exteriores da Rússia, onde reiterou que diversificar as exportações brasileiras para a Rússia é essencial para equilibrar a balança comercial.

Em síntese, o Fórum Internacional de Segurança não apenas abordou temas de defesa militar, mas também explorou questões sociais e econômicas, ressaltando a cooperação como caminho para enfrentar os desafios globais em um mundo cada vez mais multipolar.

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