Ceguinho do Centro: Artista cego com mais de 40 anos de carreira enfrenta novas dificuldades após agressão em Maceió e teme retorno ao trabalho

Ceguinho do Centro: A História de Resiliência e Música em Maceió

Em Maceió, um artista popular conhecido carinhosamente como o “Ceguinho do Centro” tem emocionado e animado o público por mais de quatro décadas. Edmilson Mendes, natural de São Bento do Una, em Pernambuco, perdeu a visão nos primeiros meses de vida, um desafio que, ao longo dos anos, transformou em uma impressionante trajetória de superação. Recentemente, no entanto, seu caminho foi interrompido por um ato de violência que gerou preocupação em sua comunidade.

A história de Edmilson é marcada por uma infância repleta de dificuldades. Rejeitado pelo pai e sofrendo agressões do padrasto, ele encontrou na música uma maneira de expressar suas emoções e ajudar sua família. Com apenas 12 anos, decidiu, corajoso, deixar sua cidade natal e se aventurou em Maceió, levando consigo apenas um pandeiro desgastado. Na capital alagoana, Edmilson buscou abrigo em uma instituição para menores e frequentou a Escola de Cegos Cyro Accioly, onde aprimorou suas habilidades musicais.

Sua carreira artística começou humildemente, com apresentações em praças e feiras. Edmilson conquistou o público com seu talento e carisma, estabelecendo-se como uma das figuras mais icônicas do Centro da cidade, principalmente na Rua do Livramento. Apesar de enfrentar hostilidade inicial de alguns comerciantes, sua persistência o transformou em uma presença fundamental para aqueles que passam por ali.

Após anos de luta e dedicação, Edmilson lançou seu primeiro CD, “Janela para o Mundo”, um projeto que concretizou um sonho antigo e foi viabilizado através de uma combinação de prêmios e doações. No entanto, a alegria de sua trajetória foi ofuscada recentemente. O artista revelou ter sido agredido enquanto trabalhava, um ataque que o deixou assustado e o afastou temporariamente de seu palco habitual. Ele relatou que já havia sido alvo de agressões anteriores, assim como outras vítimas na região, o que ampliou sua preocupação com a segurança.

Felizmente, a resiliência de Edmilson faz parte de sua essência. Embora abalado pelo ocorrido, ele continua desejando voltar a fazer o que ama: cantar e levar alegria a todos. A história do “Ceguinho do Centro” é um testemunho de como a música pode ser um farol de esperança mesmo em meio a adversidades, refletindo a força do espírito humano. A comunidade aguarda o retorno desse ícone, que é mais do que um artista; é um símbolo de resistência e cultura popular em Maceió.

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