A proposta é um avanço em relação à autonomia operacional do Banco Central, que já está em vigor desde 2021, oferecendo autonomia não apenas nesta esfera, mas também nas áreas administrativa, orçamentária e financeira. Isso implica a criação de um regime jurídico específico para a instituição, que será reconhecida como uma entidade pública de natureza especial. Essa autonomia é fundamental para que o Banco Central possa regular e fiscalizar com mais efetividade o sistema financeiro brasileiro, desvinculando-se da influência de ministérios.
Uma das inovações mais importantes do substitutivo apresentado por Valério é a proteção do sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como Pix. O texto assegura que apenas o Banco Central terá a competência para regular e operar esse sistema, impedindo, assim, que sua gestão seja transferida para entidades privadas. Além disso, estabelece a gratuidade do Pix para usuários pessoas físicas, uma medida que pode impactar diretamente o cotidiano de milhões de brasileiros.
Os senadores Eduardo Gomes e Izalci Lucas apresentaram emendas que buscavam estabelecer regras sobre a interoperabilidade entre diferentes infraestruturas digitais dos serviços financeiros e notariais, mas essas sugestões foram rejeitadas por Valério.
A discussão sobre a autonomia financeira do Banco Central ganhou novo impulso após um apelo feito por Gabriel Galípolo, presidente da instituição. Ele ressaltou os desafios enfrentados devido a restrições orçamentárias que dificultam a atuação técnica do Banco, ressaltando a importância de aprovar a proposta que já se encontra em tramitação há uma década.
Por outro lado, a base do governo expressa preocupações a respeito da nova autonomia, temendo que essa alteração no regime jurídico diminua o controle do Executivo sobre a política econômica. Diante do impasse, a expectativa é que um novo ciclo de negociações ocorra entre governo e oposição antes que a PEC possa ser apreciada novamente. Ainda não há uma previsão concreta para a retomada da votação na CCJ.





