CCJ da Câmara Aprovou Projeto que Revoga Jornada de Trabalho 6×1 e Busca Compensações para Trabalhadores Impactados

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados do Brasil conseguiu, nesta quarta-feira (22), a aprovação unânime do parecer que propõe o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1, sistema que atualmente estabelece seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso. Essa mudança é patrocinada por duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que visam reformular a carga horária dos trabalhadores.

O parecer, apresentado pelo deputado Paulo Azi (União-BA), representa um avanço significativo na discussão sobre direitos trabalhistas e saúde ocupacional. A proposta já havia sido discutida na semana anterior, mas a análise da CCJ foi suspensa temporariamente após um pedido de vista para que os deputados pudessem estudar melhor a questão em pauta.

Após a aprovação, o próximo passo é a criação de uma comissão especial que irá se debruçar sobre o mérito das propostas. O deputado Rubens Pereira Jr. (PT-MA) afirmou que a formação desse colegiado pode ocorrer a qualquer momento, com a expectativa de que a comissão seja instalada até o final deste mês.

Durante as discussões na CCJ, o deputado Lucas Redecker (PSD-RS) enfatizou a necessidade de considerar mecanismos de compensação para os setores que possam ser negativamente afetados pela nova legislação. Ele alertou para a interdependência entre os trabalhadores e os empregadores, ao mesmo tempo em que expressou preocupação com os potenciais impactos econômicos dessa mudança na geração de empregos.

Reginaldo Lopes, deputado do PT-MG e um dos autores das propostas, rejeita a escala 6×1, a qual ele define como uma forma de “escravidão moderna”. Para ele, é urgente que o Brasil passe por reformas trabalhistas mais abrangentes que beneficiem os trabalhadores, que muitas vezes são os mais afetados pelas condições injustas de trabalho.

O relator da matéria, Paulo Azi, também indicou que a jornada de trabalho atual prejudica, especialmente, pessoas em situações vulneráveis, como jovens e mulheres. A expectativa entre os legisladores é que a futura comissão se debruce sobre as compensações necessárias, para que a mudança na jornada de trabalho não acabe por gerar mais dificuldades em um cenário econômico já delicado.

Diante desse panorama, o debate promete ser intenso nas próximas semanas, especialmente em relação às compensações e ao impacto dessa nova legislação sobre os trabalhadores e a economia nacional como um todo. A pressão por melhorias nas condições de trabalho se intensifica, e é esperado que essa discussão tenha ramificações significativas no ambiente político e social do país.

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