O deputado Paulo Azi, relator das propostas e representante do União na Bahia, apresentou um parecer favorável à continuidade da tramitação, assegurando que não há entraves constitucionais que impeçam o debate. Contudo, a votação, que estava inicialmente programada para ocorrer nesta data, foi adiada a partir de um pedido de vista, situação que poderá atrasar ainda mais a análise das mudanças.
Entre as PECs discutidas, destaca-se a PEC 8/25, proposta pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), que sugere que a semana laboral seja composta por quatro dias de trabalho e três dias de descanso, culminando em uma carga horária máxima de 36 horas por semana. Essa proposta também visa extinguir a conhecida escala 6×1, que permite que os trabalhadores cumpram seis dias consecutivos de atividades seguidos por um dia de descanso.
A segunda proposta, a PEC 221/19, elaborada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), contempla a redução gradativa da jornada semanal para 36 horas ao longo de uma década. Ambas as propostas, se aprovadas nessa fase inicial, seguirão para uma comissão especial que realizará uma análise mais profunda sobre o mérito das sugestões, antes que sejam votadas pelo Plenário da Câmara.
Atualmente, a Constituição brasileira limita a carga horária a 44 horas semanais e 8 horas diárias, sem estipular uma escala de trabalho específica. Durante as audiências públicas promovidas pela CCJ, foram ouvidos representantes do governo, centrais sindicais e do setor produtivo, que trouxeram à discussão pontos de vista divergentes sobre os impactos potenciais das mudanças propostas. Defensores da redução da jornada afirmam que tal medida poderá resultar em benefícios para a saúde, qualidade de vida e produtividade dos trabalhadores. No entanto, os empresários expressaram preocupação, alertando sobre riscos como o aumento de custos, pressão sobre os preços e possíveis demissões, principalmente entre pequenos empresários.
A continuidade do debate sobre a jornada de trabalho promete ser um tema polêmico nos próximos dias na Câmara, refletindo as tensões entre a promoção de melhores condições laborais e as inquietações do setor empresarial.
